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Filosofia, Mente

Por que insistimos em dar murro em ponta de faca?

9 de outubro de 2017

Você já se pegou dando murro em ponta de faca? Ou seja, repetindo erros e situações que só aumentam o seu sofrimento sobre determinada questão? É comum a gente se colocar em situações como essa. Porém, às vezes simplesmente não conseguimos lutar contra a água que passa debaixo da ponte. Se a situação não muda, cabe a nós mudarmos nossa atitude perante ela.

O que é dar murro em ponta de faca?

A expressão é usada para descrever situações em que empregamos muito esforço em vão, de forma repetitiva. Por exemplo: gastar muito tempo e energia em um projeto e, por mais que os resultados esperados não apareçam, insistir em continuar nele; buscar convencer um teimoso a mudar de ideia; cansar de tentar resolver um problema que parece não ter solução.

Quando damos murro em ponta de faca, gastamos uma energia em determinada situação que poderia ser canalizada para outras coisas. Nessas horas, precisamos ter sabedoria para identificar o que em nós provoca a necessidade de insistir no erro.

Deixe a água passar debaixo da ponte

“Tem muitas vezes que você não consegue lutar contra a água que vai passar debaixo da ponte. Há situações que são muito mais fortes do que você”, avalia o empresário Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai. De acordo com ele, em vez de ficar despendendo uma energia que nos desgasta, o ideal é focar naquilo que podemos resolver.

“Não adianta você dar murro em ponta de faca”, sugere. Segundo Tagawa, muitas vezes acabamos com a nossa saúde ao insistir em resolver problemas que estão fora do nosso controle.

Para isso, é preciso perceber: estou lutando contra algo que não tem solução, que é maior do que eu ou que simplesmente não posso mudar? “A percepção é o mais importante. Tem coisas que são incontroláveis e não cabe a você decidir”, avalia.

Tagawa revela que já cansou de dar murro em ponta de faca com relação à família, por exemplo. Era comum ele ter discussões com familiares, insistindo em tentar alterar comportamentos que não mudariam. O melhor que fez foi sair da situação em vez de esperar que a situação em si mude. Ele decidiu focar naquilo que conseguia cuidar e resolver, largando mão do que não era possível transformar.

Não resistir é importante

Aceitar, ao invés de resistir a um problema, é uma atitude que nos ajuda a para de insistir em situações que nos fazem mal. É importante olhar em volta, analisar a situação e pensar em quais as ações tomar, aconselha Tagawa.

No bestseller “O poder do agora” o escritor alemão Eckhart Tolle diz que a resistência ao sofrimento apenas o intensifica. Ele nos chama a atenção para a sabedoria contida nas artes marciais: “não ofereça resistência à força opositora, submeta-se para superá-la”, sugere.

Autodesenvolvimento, Mente

‘Tá ruim, mas tá bom’: a desculpa que nos impede de sair da zona de conforto

6 de outubro de 2017

“Tá ruim, mas tá bom” é uma crença comum que muitos de nós temos. Geralmente ela serve como desculpa para nos manter estagnados e nos impede de sair da zona de conforto. Quando isso acontece, precisamos analisar a situação e enxergá-la de outra perspectiva. Se o que está ruim pesa mais do que aquilo que está bom, algo precisa ser feito.

Como sair da zona de conforto

A zona de conforto é um cenário de acomodação em nossas vidas, que pode ocorrer tanto no âmbito pessoal como profissional. Nos encontramos em tal situação quando apenas repetimos hábitos, pensamentos e comportamentos por costume, sem refletir se aquilo é necessariamente o que precisamos, devemos ou queremos fazer de nossas vidas.

O pensamento “está ruim, mas está bom” caracteriza tal cenário. Afinal, pode até ser confortável acordar todos os dias para ir a um emprego estável e rotineiro – esse é o lado bom. O ruim é quando internamente sabemos que esse trabalho não nos proporciona qualquer tipo de prazer, desafio ou evolução, e nos sentimos entediados ao executar as funções.

Para Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, a crença “tá ruim, mas tá bom” ocorre quando nos acostumamos com pouco. “Quando isso acontece, a pessoa tem que sair daquela ótica. Olhar a situação de outra perspectiva”, sugere. Com isso, podemos enxergar que a vida que estamos levando não é bem aquela que gostaríamos de ter

Falsa sensação de segurança

Estar na zona de conforto nos causa uma falsa sensação de segurança. Como estamos acostumado a ela, não sentimos qualquer medo, risco ou ameaça. Contudo, nada na vida é estável ou permanente e a zona de conforto é uma “ilusão”.

“Todo mundo faz questão de não arriscar pela segurança. Muitas vezes a pessoa trabalha em uma empresa durante 40 anos, mas sempre reclamando. De repente ela tem a oportunidade de montar um negócio e fazer aquilo que gosta, mas ela continua lá pelo simples fato da segurança, em vez de investir em algo que poderia fazê-la feliz”, avalia.

Tagawa tem uma frase que ilustra essa situação: “quer segurança? Compra uma geladeira”, diz. “Ela vai funcionar durante 20 anos, não vai quebrar, só que ela vai fazer sempre a mesma coisa.”

Plano B

No mundo do empreendedorismo, é comum os especialistas alertarem para a importância de qualquer indivíduo ter um Plano B na vida profissional. Isso implica em sair da zona de conforto e pesquisar, paralelamente ao emprego atual, formas alternativas de trabalho. Essas opções podem ser tanto dentro do seu campo de especialização como fora dele – desde que você tenha afinidade e interesse pela nova área.

A sugestão é que tal busca seja feita aos poucos, com começar um curso diferente, pensar em formas autônomas de trabalho, participar de eventos e ampliar a rede de relacionamentos.

O autoconhecimento é muito importante para quem quer sair da zona de conforto. É preciso conhecer a si mesmo para saber o que te move, quais são as suas limitações e anseios. De repente podemos ser mandados embora do emprego ou o parceiro com quem nos relacionamos há anos optar por encerrar a relação. Nesses casos, quem estiver consciente da impermanência da vida lidará melhor com a situação.

Alma, Propósito

Qual é a diferença entre propósito e missão de vida?

4 de outubro de 2017

Por Gabriela Gasparin

Muitas pessoas buscam um propósito e uma missão de vida. Cansadas de seguirem a jornada no “automático”, apenas reproduzindo padrões estabelecidos na sociedade, procuram algo maior para guiar os seus dias. Ao longo dessa caminhada, é importante entender a diferença entre propósito e missão. Afinal, ambos são essenciais para nos guiar rumo à vida que queremos ter.

Qual é a diferença entre propósito e missão?

De uma forma bem resumida, quando temos um propósito claro fica mais fácil encontrar a nossa missão. Confundiu ainda mais? Então vamos lá: o propósito é algo que vem do nosso âmago, um desejo interno que nos move diariamente. A missão já é mais prática e implica necessariamente em uma ação concreta a ser realizada.

O que é propósito?

O que te faz acordar todos os dias e seguir em frente, mesmo ante as adversidades? O que te move interiormente a fazer o que faz? Ao responder essas perguntas chegamos mais perto de qual é o nosso propósito. A resposta geralmente terá conexão com algum sentimento ou valor mais profundo.

Segue a resposta encontrada no Google para a busca “o que é propósito”:

Propósito

Substantivo masculino

  1. intenção (de fazer algo); projeto, desígnio. 2. aquilo que se busca alcançar; objetivo, finalidade, intuito. 3. aquilo a que alguém se propôs ou por que se decidiu; decisão, determinação, resolução.

Por exemplo, uma pessoa poderia dizer: “eu acredito que o autoconhecimento é a chave para uma vida mais plena e harmônica. O meu propósito de vida é me aprofundar cada vez mais nesse tema e estar apto a compartilhar com os demais tal sentimento de plenitude, proporcionando tranquilidade na vida em sociedade e uma conexão maior entre mim, os outros seres e o universo”.

Profundo, não? Mas o propósito é assim mesmo: geralmente conectado com algo maior, grandioso. Em livro intitulado “Por que fazemos o que fazemos” o filósofo Mário Sérgio Cortella afirma: “uma vida com propósito é aquela em que eu entenda as razões pelas quais faço o que faço e pelas quais claramente deixo de fazer o que não faço.” Segundo ele, a busca por um propósito no trabalho é uma das maiores aflições contemporâneas.

O que é missão?

Com base no exemplo usado no propósito, a mesma pessoa poderia responder: “a minha missão na vida é ajudar o máximo de pessoas possível a praticarem o autoconhecimento. Para isso, vou estudar psicologia e me capacitar cada vez mais nessa área.”

A missão sempre vai implicar uma ação, uma atitude da nossa parte. Ela claramente está relacionada com o propósito, mas não é a mesma coisa.

Vamos novamente recorrer ao resultado do Google para a busca o que é missão:

Missão

Substantivo feminino

  1. incumbência que alguém deve executar a pedido ou por ordem de outrem; encargo. 2. conjunto de pessoas a que se confere uma tarefa. 3. dever a cumprir; obrigação.

É claro que a definição do dicionário não corresponde exatamente ao sentido de “missão de vida”, mas ao comparar o significado de “propósito” e “missão” conseguimos entender claramente a diferença das duas.

E não tenha dúvidas, saber claramente o que nos move ajuda, e muito, a sermos mais felizes. Basta um pouco de paciência que, com o tempo, as respostas aparecem. Afinal, como diz o ditado: “quem procura, acha!”

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

 

Autodesenvolvimento, Mente

Acumule conquistas ao invés de arrependimentos

29 de setembro de 2017

Por Gabriela Gasparin

“Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”, disse o filósofo grego Sócrates. A ideia de refletir sobre a vida ajuda, e muito, na tomada de decisões e na concretização de um dia a dia mais agradável e feliz. Afinal, viver uma sequência rotineira de ações impensadas pode resultar em arrependimentos lá na frente. Mas, na prática, como a reflexão colabora para uma vida melhor?

Refletir sobre a vida só nos trás benefícios

Quase nada no mundo está sob nosso controle. A única coisa que efetivamente podemos controlar são as nossas ações, o nosso comportamento. Apesar disso, é comum seguirmos vivendo sem assumir as rédeas das nossas vidas. E fazemos isso porque simplesmente não paramos para pensar.

“Se é para levar a vida vivendo como gado, sem parar para refletir, sendo tocado até o matadouro, sem se desenvolver, mudar, aprender, a vida perde todo o seu sabor, a sua graça”, afirma o neurocientista Pedro Calabrez em palestra disponível no YouTube.

Apenas por meio da ação é que conseguimos efetivamente mudar o que nos incomoda. Porém, precisamos saber o que mudar. Para isso, a reflexão é fundamental. Precisamos entender o que nos incomoda e por quê.

Pensar para viver

Praticamente todos os filósofos defendem o pensar para viver. No livro “A vida que vale a pena ser vivida”, os autores Clóvis de Barros Filho e Arthur Meucci afirmam que Sócrates, por exemplo, fala sobre a importância de sabermos a essência das coisas antes de atuarmos sobre elas.

Por exemplo: é importante entender o que é amizade para avaliar se as relações com seus amigos de fato se enquadram nesse conceito para você. O mesmo vale com todas as coisas: o que deve ser um trabalho? O que é amor para você?

“Em tudo o que existe no mundo há alguma coisa que é sua essência, seu atributo principal, sua razão de ser. Desta forma, conhecer, seja lá o que for, implica conhecer esse seu atributo principal, isto é, aquilo sem o que toda e qualquer coisa não seria o que é. Assim, identificar a essência pressupõe identificar aquilo que faz ser.” E Sócrates vai mais longe, dizem os autores: o que é verdadeiro para cada um está na nossa alma. Ou seja, para o filósofo grego, o que pensa no homem é a sua alma.

Daí a importância de investigarmos a fundo quais são as nossas verdades para, posteriormente, agir ante elas. Ou seja: para tudo aquilo que não vai ao encontro do que acreditamos ou o que queremos, temos a possibilidade de mudar, de fazer diferente, de crescer e nos desenvolver. Isso só trará benefícios a nós mesmos. Afinal, como diz o poeta tibetano Milarepa: “minha missão é viver – e morrer- sem arrependimento.”

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Alma, Filosofia, Mente, Propósito

Como fazer o universo conspirar a nosso favor

27 de setembro de 2017

É popularmente conhecida a frase: “quando realmente queremos alguma coisa, o universo conspira a nosso favor”. Crenças à parte, a frase já pressupõe uma participação ativa nossa para que algo se realize, o querer. Realmente acreditamos que o que queremos é possível? O que estamos fazendo para tornar esses desejos realidade? Com essa etapa definida, ter fé que o universo vai nos ajudar é um estímulo a mais.

O universo conspira a favor do que?

Acreditar que o universo conspira a nosso favor pode nos ajudar, e muito, na concretização de objetivos. Afinal, especialistas em psicologia e neurociência afirmam que o pensamento positivo e o otimismo são muito importantes quando desejamos algo.

Porém, precisamos fazer a nossa parte. O filósofo Mário Sérgio Cortella nos alerta para a importância de sabermos identificar sonhos de delírio. “O sonho é aquilo que nos impulsiona, é um desejo que no futuro queremos buscar. O delírio carrega dentro de si a impossibilidade”, explica em vídeo disponível no YouTube.

Cortella esclarece: “sonhar tem que ter dentro de si a possibilidade de ser factível. O sonho é o desejo com factibilidade”. Como exemplo ele conta que por mais que queira ser o melhor jogador de futebol da Fifa em 2017, isso não será possível. “Eu não teria condição orgânica de fazer isso, nem se eu rezar muito, se minha mãe fizer novena, se eu ler o livro ‘O segredo’”, brinca.

‘Minha vida é feita de o universo conspirar’

O empresário Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, costuma dizer com frequência que o universo conspira a seu favor. “A minha vida é feita de o universo conspirar. Mesmo nas adversidades, parece que se abre um portal para mim e eu consigo sair da roubada. Isso é algo muito forte em minha vida”, garante.

Contudo, mesmo acreditando na força da atuação do universo sobre a vida, Tagawa passou a perceber, com o tempo, que quanto mais equilibrado ele está consigo mesmo, maior é a probabilidade de perceber essa sincronicidade com algo maior. “Quando você está equilibrado parece que acessa com mais facilidade o portal. Quando você está muito agitado, muito fora do eixo, em adversidades, você nem consegue perceber que ele existe”, afirma.

Ao estar equilibrado, você percebe um conexão com o universo em quase todos os movimentos que você faz na sua vida. “Minha intuição sobe, meu humor oscila menos e eu consigo ficar mais focado.”

Ansiedade, pressa, agitação e nervosismo eram sintomas muito comuns na vida de Tagawa, que sofreu durante muito tempo com a falta de equilíbrio. Após ser diagnosticado com uma doença e passar por uma cirurgia, ele percebeu que precisava dar um basta em hábitos que o prejudicavam. Desde então, medita, faz rituais, repete mantras e pratica atividades físicas diariamente.

Conspirar a favor é possível?

No blog Sobre Palavras, o autor Sérgio Rodrigues diz que o emprego do verbo “conspirar” com sentido positivo não está errado. “Trata-se de uma expansão semântica, com alguma dose de licença poética, em que a carga negativa da acepção mais conhecida desaparece para deixar apenas a ideia de ‘tramar em segredo’ para a obtenção de certo resultado, que tanto pode ser positivo quanto negativo”, defende.

De acordo com ele, o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa diz que um dos significados de conspirar é: “conduzir ou levar a um resultado; contribuir para um fim”.

Alma, Espiritualidade

Como transformar a sensação de vazio interior na nossa principal motivação

22 de setembro de 2017

Gabriela Gasparin

Às vezes sentimos um vazio interior que faz a gente pensar que nada na vida faz sentido. Parece que há um vácuo no fundo da alma. Ficamos chateados e deprimidos. Quando essa sensação de vazio estranha aparece, a melhor forma de curá-la é buscar formas sadias de preencher o vazio. Afinal, como diz o psiquiatra Viktor Frankl: “a busca por sentido é a principal motivação da vida do homem”.

Por que temos essa sensação de vazio?

O sentimento de vazio existencial é bastante comum na atual geração. De acordo com Frankl, em seu livro “A busca de sentido”, há dois fatores para isso. Um deles é que o ser humano evoluiu e perdeu instintos animais básicos que antes asseguravam a nossa existência. Outro, um pouco mais recente, é a perda de tradições, que antes serviam de apoio para o nosso comportamento.

Sem instinto e tradições, muitos de nós ficamos perdidos, sem ter o que nos guiar. É comum buscarmos preencher esse vazio com fontes externas a nós, como comida, sexo, álcool, dinheiro, poder, status, fama e etc. Porém, como sabemos, tais comportamentos pode nos levar a vícios e acabam não preenchendo a lacuna interior, que é sentida na alma.

Além disso, a sociedade atual prega cada vez mais o individualismo. Todos nós acreditamos que somos especiais e queremos provar isso para o mundo. Não queremos sentir que estamos aqui de passagem, como diz o filósofo Mário Sérgio Cortella, em seu livro “Por que fazemos o que fazemos?”

Sanar esse sentimento geralmente exige uma busca mais profunda, menos superficial. Precisamos encontrar um propósito que nos mova, algo que nos faça sentir atuantes, sabendo que fazemos alguma diferença. “Uma vida com propósito é aquela em que sou o autor da minha própria vida. Eu não sou alguém que vou vivendo”, diz Cortella.

‘Quem procura, acha’

Dessa forma, um motivador para quando estamos sentindo esse vazio interior que parece que jamais vai embora é ir à caça do que no faz bem. “Uma vez que cada situação na vida constitui um desafio na vida da pessoa e lhe apresenta um problema para resolver, pode-se, a rigor, inverter a questão do sentido da vida. A pessoa não deveria perguntar qual é o sentido da vida, mas antes deve reconhecer que é ela que está sendo indagada”, salienta Frankl.

No livro “QS, Inteligência Espiritual”, os autores Danah Zohar e Ian Marshall, afirmam que podemos encontrar tais respostas acessando a nossa inteligência espiritual, que é a “inteligência da alma”. Ao utilizarmos o QS, criamos os próprios valores e o que nos move. “É a inteligência com a qual reconhecemos não só valores existentes, mas com a qual, criativamente, descobrimos novos valores”.

Os autores salientam que pelo uso refinado dessa inteligência, e com o emprego de honestidade pessoal e da coragem, podemos nos conectar com as fontes e os sentidos mais profundos existentes em nós. Então podemos usar essa conexão para servir causas e processos muito mais amplos do que nós mesmos. “Nossa salvação mais autêntica talvez esteja em servir nossa imaginação mais profunda.”

Como diz Frankl, cada pessoa é indagada pela vida e somente ela pode responder à vida. Sabe como? Sendo responsável pela sua própria vida.

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

 

Filosofia, Mente

Quais crenças atrapalham seu crescimento?

19 de setembro de 2017

Ao longo da vida acumulamos uma série de crenças limitantes que atrapalham a nossa evolução. São ideias que ouvimos da nossa família, da sociedade ou que criamos e acreditamos profundamente que são verdade. Porém, muitas delas são apenas construções sociais ou da nossa mente. Precisamos quebrá-las para avançar etapas e crescer.

Como nascem as crenças limitantes

Tudo o que escutamos de nossos pais, na escola, de amigos e na mídia, além de situações que vivenciamos, constroem nossas crenças no decorrer da vida. Quando chegamos à fase adulta, acumulamos uma série de verdades absolutas sobre vários âmbitos da existência. A questão é que nem sempre essas crenças correspondem à realidade.

É assim que nascem as crenças limitantes: são ideias negativas a respeito de situações ou de nós mesmos que nos impedem de crescer. Elas agem sobre tudo o que pensamos, sentimos e fazemos.

Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, por exemplo, ouviu muito de seus familiares quando criança que ele não teria futuro, que se tornaria um “marginal”. Isso porque ele teve uma infância conturbada e era um aluno muito rebelde na escola.

A crença que ele construiu no decorrer da vida era a de que ele não seria capaz de ter sucesso sozinho. Ele se tornou um adulto inseguro. Estava sempre procurando alguém para estar ao seu lado nos negócios, mesmo que o sócio não fosse o ideal para o que ele precisava.

Crenças são como ímãs

As crenças são como ímãs, você crê em uma verdade e ela se torna real, diz a Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional. Isso acontece porque, quando estamos conectados com uma verdade, a vida nos trará situações que sejam compatíveis com tal vibração.

É necessários que criemos distância dessas crenças enraizadas dentro de nós para que possamos ressignificá-las. Toda vez que identificarmos um pensamento negativo vindo à nossa mente, devemos refletir se ele realmente é verdade ou se é apenas uma construção criada ao longo dos anos.

“Não é porque alguém disse que você é incapaz que isso é verdadeiro. Não é porque um relacionamento não deu certo uma vez, que toda vez será igual. Não é porque tudo ainda não está como queria em sua carreira e vida pessoal, que não vai conseguir”, alerta o Instituto Brasileiro de Coaching. De acordo com a organização, é muito importante ter esta consciência e buscar ser mais otimista em relação a si mesmo.

Quebre as crenças que te fazem mal

Tagawa afirma que precisou bater muito a cabeça para entender alguns comportamentos que repetia por conta de crenças limitantes que o atrapalhavam. Nos negócios, por exemplos, participou de várias sociedades que não deram certo até entender que elas eram apenas uma “muleta” para a sua insegurança.

Ele revela que precisou de resiliência para expandir esse pensamento. “Eu poderia ficar remoendo tudo aquilo que eu passei, com medo de tudo e não expandir para a vida”, lembra. “Todos os dias e eu acredito que a minha vida é próspera.”

Para superar a crença limitante, umas das ações é entender de onde ela veio. Por exemplo, se você pensa todos os dias que não é capaz de fazer algo, tente identificar o que te faz pensar dessa forma. Entenda a origem da crença e a transmute. Se sentir dificuldades, busque a ajuda de algum profissional para te ajudar.

Alma, Propósito

Quais são os seus sonhos e objetivos?

15 de setembro de 2017

Por Gabriela Gasparin

A nossa vida é reflexo do que fazemos diariamente. Logo, nosso futuro é resultado das nossas ações de hoje. Mas onde queremos estar amanhã? Quais são nossos sonhos e objetivos? Eis a pergunta crucial que devemos nos fazer constantemente para não corrermos o risco de construir uma realidade que não desejamos para nós. “Lembre-se de que aquilo que você tem hoje um dia esteve entre as coisas que desejava”, diz o filósofo grego Epicuro.

Como definir sonhos e objetivos?

A grande questão muitas vezes não está em perseguir nossos sonhos e objetivos, mas sim em definir quais são eles. Com a vida agitada que levamos, vivemos como se estivéssemos no “modo automático”.

Apertamos o nosso botão de “ligar” na hora em que acordamos e passamos o dia cumprindo uma série de tarefas que muitas vezes sequer sabemos direito por que estão lá. À noite, antes de dormir, repetimos o hábito: de tão esgotados, apenas desligamos o botãozinho. Só queremos descansar para repetir a saga novamente.

Porém, tirar um tempo para refletir o que estamos fazendo dos nossos dias é muito importante para que a gente consiga construir conscientemente o futuro que queremos ter. “Um vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”, já dizia Sócrates.

Essa pausa reflexiva pode ser feita a qualquer momento: após acordar, enquanto estamos nos preparando para os compromissos do dia, no transporte de casa para o trabalho, naquele intervalo para o café durante a tarde ou cinco minutos antes de ir dormir.

Conhece-te a ti mesmo

O psiquiatra e pesquisador de neurociência Pedro Calabrez dá uma dica importante para nos ajudar nessa tarefa de compreender os nossos dias: o Diário das Três Bênçãos . A sugestão é separar alguns minutos à noite e listarmos três coisas boas que aconteceram durante o dia, e justificando o porquê. Pode ser ter tido um almoço gostoso, recebido um telefonema ou conseguido cumprir uma meta.

O propósito do exercício é, na verdade, nos tornarmos mais otimistas; porém, isso nos ajuda a entender o que mais nos faz bem diariamente: e aí podemos agir para aumentar a frequência desses acontecimentos simples na nossa vida.

Fazer esse diário é apenas uma pequena ação em busca de entendermos quem somos, o que gostamos e, com isso, delimitarmos objetivos em busca da vida que queremos ter lá na frente. Além do mais, esses objetivos precisam ser factíveis: coisas que sabemos que são realizáveis a longo prazo. Do contrário, só nos gerará frustrações. “Perseguir um objetivo que por definição é inatingível é condenar-se a um estado de infelicidade perpétua”, já alerta o sociólogo Émile Durkheim.

Não tenha medo de agir

Além de termos a consciência do que queremos no nosso futuro, é importante que não deixemos a ação de lado. Afinal, a vida é uma obra em construção. A cada dia vamos nos percebendo e levantando as paredes para a “casa” que queremos ter. Porém, temporais e tempestades podem surgir, derrubar tudo e nos obrigar a recomeçar. Quando mais firme estiver o nosso alicerce, ou seja, o nosso autoconhecimento, com mais rapidez conseguimos nos reerguer.

“Arriscamos muita coisa ao agir: podemos cair, fracassar no objetivo, parecer incompetentes, suscitar críticas, rivalidades, resistências ou ódios, ou simplesmente ser ignorados”, diz Parker J. Palmer, autor do livro “Vida Ativa”. Contudo, sem a ação jamais vamos atingir qualquer objetivo. Para isso, podemos nos inspirar nas palavras do poeta Theodore Roethke: “descubro, indo, para onde tenho que ir.”

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria

 

Filosofia, Mente

Viver apressadamente só nos traz atrasos

11 de setembro de 2017

“O apressado come cru”, “a pressa é inimiga da perfeição”. A sabedoria popular nos ensina que a pressa não é uma boa companhia para as nossas vidas. Estamos cansados de saber disso, mas na prática é difícil eliminá-la do nosso dia a dia, não é mesmo? Uma boa maneira de aprender a como ter mais calma e paciência é olhar por outra ótica: perceber que viver apressadamente na verdade só nos traz atrasos.

Como termos mais calma e paciência

“Sempre que tive pressa, dei um passo pra trás”, garante o empresário Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai. Tanto no âmbito pessoal como profissional, ele afirma que a ansiedade o fez voltar muitas casas no “jogo da vida”. “Essa postura sempre me atrapalhou. Sempre tive pressa e ansiedade.”

Nos negócios, ele já aceitou mais clientes do que tinha capacidade de suportar; entrou em sociedades que não tinham solidez pensando apenas em resultados futuros que nunca chegavam. Na vida pessoal, precipitou-se ao entrar em um casamento sem o relacionamento estar maduro o suficiente. De nada adiantou ser tão apressado: chegou a receber pedidos de falência de empresas e precisou rever o casamento.

“A pergunta que a Filosofia do Bonsai faz é: qual é o tamanho do seu jardim? De quantos bonsai eu posso cuidar?”, sugere Alexandre. “Se eu quero ser um diretor, então é preciso saber da responsabilidade que envolve ter essa função em uma empresa. Você está disposto a assumir essa responsabilidade? Se sim, você pode seguir passo a passo o caminho para alcançar esse desejo.”

O prazer está na jornada

O que acontece é que muitas vezes queremos ser diretores, mas com responsabilidades de analistas, e isso não é possível. “O grande erro do ser humano é não saber o que ele quer”, avalia Tagawa.

Quem realmente gosta das funções executadas por um diretor, por exemplo, não vai ter pressa em atingir o posto sem antes aprender tudo o que é necessário para tal – afinal, o aprendizado será prazeroso em si.

“Com paciência, visão de futuro, planejamento, é aí que você consegue atingir a maturidade”, defende Tagawa. Quem cuida de um bonsai, por exemplo, sabe que leva muito tempo para a miniárvore ser moldada e ficar com galhos exóticos e bonitos. O bonsaísta tem consciência disso, mas se envolve no percurso até atingir o objetivo.

Sábia frase atribuída ao escritor britânico Gilbert Keith Chesterton diz: “uma das grandes desvantagens de termos pressa é o tempo que isso nos faz perder.” Em entrevista disponível no YouTube, o filósofo Mário Sérgio Cortella diz que há uma diferença entre pressa e velocidade. “Viver apressadamente não é viver velozmente. Velocidade é sinal de habilidade. Pressa, de desorganização e despreparo.”

Alma, Espiritualidade

Como alcançar as estrelas sem tirar os pés do chão

5 de setembro de 2017

Se as coisas são inatingíveis… ora!/ Não é motivo para não querê-las…/ Que tristes os caminhos, se não fora/ A presença distante das estrelas!”. O poema de Mário Quintana nos inspira a não desistirmos dos nossos sonhos, por mais distantes que pareçam estar. Afinal de contas, as coisas só acontecem quando temos a coragem de dar o primeiro passo. Contudo, na hora de estabelecermos desejos e metas é preciso ter sabedoria. Com paciência e foco é possível alcançar as estrelas sem tirar os pés do chão.

Alcançar as estrelas é possível

Alcançar as estrelas sem tirar os pés no chão significa ter consciência das dificuldades existentes na trajetória rumo à concretização de um desejo. É como diz sábia frase atribuída ao filósofo Sêneca: “a coragem conduz às estrelas, e o medo à morte.”

“Manter os pés no chão”, de acordo com o Dicionário Informal, é se manter na realidade, ou seja, viver sem ilusões, viver a vida como ela é. Dessa forma, o caminho rumo a um sonho pode ser longo e cheio de curvas e bifurcações, o que faz com que muitos desistam de prosseguir.

“Muitas vezes a gente acaba tendo crenças que são limitantes. Ou seja, a gente fica preso a coisas que impedem a gente conseguir tocar as estrelas”, acredita Alexandre Tagawa, idealizar da Filosofia do Bonsai.

Crenças limitantes são aqueles pensamentos formatados na nossa mente sobre determinado assunto que nos impedem de realizar objetivos. Um exemplo é quando afirmamos internamente para nós uma verdade sobre algo sem questionar o fundamento, por exemplo: dinheiro é sujo. “Se eu criei essa crença, como vou fazer para aceitar que o dinheiro pode ser bem vindo, bem utilizado e que necessitamos dele?”, avalia Tagawa.

Que estrela te guia?

Conhecer as próprias raízes e valores é uma forma de conseguirmos identificar quais são nossas crenças e o que realmente queremos para nós – um ponto crucial para irmos na direção desse desejo, dessa “estrela a ser buscada”.

Depois disso, é preciso ter disciplina para cuidar do corpo e da mente, que compõem o “veículo” que nos levará até o céu, rumo às constelações. De acordo com a Filosofia do Bonsai, esse cuidado está representado pelo pilar “tronco”, e inclui práticas como meditação, respirações, rituais, atividades físicas e alimentação saudável.

“Céu, terra, pé no chão e tronco erguido, é isso que te norteia. Se você não trabalhar esse meio – esse tronco – dificilmente você vai tocar as estrelas”, defende Tagawa, que confessa ter demorado a compreender a importância do equilíbrio na concretização de seus objetivos.

“Você é o seu movimento. Você é aquilo que se dispõe a fazer. Se você se dispor à ignorância, a vida vai te entregar ignorância. Se você se dispor a entender a sua existência, a vida te devolverá complexidade. Quanto mais você se aprofunda, mais complexo fica. Por isso as pessoas desistem no meio do caminho: não aguentam ir até o final. Mas se você for até o final, você pode tocar as estrelas sem tirar os pés do chão.”