Categoria

Mente

Filosofia, Mente

Por que insistimos em dar murro em ponta de faca?

9 de outubro de 2017

Você já se pegou dando murro em ponta de faca? Ou seja, repetindo erros e situações que só aumentam o seu sofrimento sobre determinada questão? É comum a gente se colocar em situações como essa. Porém, às vezes simplesmente não conseguimos lutar contra a água que passa debaixo da ponte. Se a situação não muda, cabe a nós mudarmos nossa atitude perante ela.

O que é dar murro em ponta de faca?

A expressão é usada para descrever situações em que empregamos muito esforço em vão, de forma repetitiva. Por exemplo: gastar muito tempo e energia em um projeto e, por mais que os resultados esperados não apareçam, insistir em continuar nele; buscar convencer um teimoso a mudar de ideia; cansar de tentar resolver um problema que parece não ter solução.

Quando damos murro em ponta de faca, gastamos uma energia em determinada situação que poderia ser canalizada para outras coisas. Nessas horas, precisamos ter sabedoria para identificar o que em nós provoca a necessidade de insistir no erro.

Deixe a água passar debaixo da ponte

“Tem muitas vezes que você não consegue lutar contra a água que vai passar debaixo da ponte. Há situações que são muito mais fortes do que você”, avalia o empresário Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai. De acordo com ele, em vez de ficar despendendo uma energia que nos desgasta, o ideal é focar naquilo que podemos resolver.

“Não adianta você dar murro em ponta de faca”, sugere. Segundo Tagawa, muitas vezes acabamos com a nossa saúde ao insistir em resolver problemas que estão fora do nosso controle.

Para isso, é preciso perceber: estou lutando contra algo que não tem solução, que é maior do que eu ou que simplesmente não posso mudar? “A percepção é o mais importante. Tem coisas que são incontroláveis e não cabe a você decidir”, avalia.

Tagawa revela que já cansou de dar murro em ponta de faca com relação à família, por exemplo. Era comum ele ter discussões com familiares, insistindo em tentar alterar comportamentos que não mudariam. O melhor que fez foi sair da situação em vez de esperar que a situação em si mude. Ele decidiu focar naquilo que conseguia cuidar e resolver, largando mão do que não era possível transformar.

Não resistir é importante

Aceitar, ao invés de resistir a um problema, é uma atitude que nos ajuda a para de insistir em situações que nos fazem mal. É importante olhar em volta, analisar a situação e pensar em quais as ações tomar, aconselha Tagawa.

No bestseller “O poder do agora” o escritor alemão Eckhart Tolle diz que a resistência ao sofrimento apenas o intensifica. Ele nos chama a atenção para a sabedoria contida nas artes marciais: “não ofereça resistência à força opositora, submeta-se para superá-la”, sugere.

Autodesenvolvimento, Mente

‘Tá ruim, mas tá bom’: a desculpa que nos impede de sair da zona de conforto

6 de outubro de 2017

“Tá ruim, mas tá bom” é uma crença comum que muitos de nós temos. Geralmente ela serve como desculpa para nos manter estagnados e nos impede de sair da zona de conforto. Quando isso acontece, precisamos analisar a situação e enxergá-la de outra perspectiva. Se o que está ruim pesa mais do que aquilo que está bom, algo precisa ser feito.

Como sair da zona de conforto

A zona de conforto é um cenário de acomodação em nossas vidas, que pode ocorrer tanto no âmbito pessoal como profissional. Nos encontramos em tal situação quando apenas repetimos hábitos, pensamentos e comportamentos por costume, sem refletir se aquilo é necessariamente o que precisamos, devemos ou queremos fazer de nossas vidas.

O pensamento “está ruim, mas está bom” caracteriza tal cenário. Afinal, pode até ser confortável acordar todos os dias para ir a um emprego estável e rotineiro – esse é o lado bom. O ruim é quando internamente sabemos que esse trabalho não nos proporciona qualquer tipo de prazer, desafio ou evolução, e nos sentimos entediados ao executar as funções.

Para Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, a crença “tá ruim, mas tá bom” ocorre quando nos acostumamos com pouco. “Quando isso acontece, a pessoa tem que sair daquela ótica. Olhar a situação de outra perspectiva”, sugere. Com isso, podemos enxergar que a vida que estamos levando não é bem aquela que gostaríamos de ter

Falsa sensação de segurança

Estar na zona de conforto nos causa uma falsa sensação de segurança. Como estamos acostumado a ela, não sentimos qualquer medo, risco ou ameaça. Contudo, nada na vida é estável ou permanente e a zona de conforto é uma “ilusão”.

“Todo mundo faz questão de não arriscar pela segurança. Muitas vezes a pessoa trabalha em uma empresa durante 40 anos, mas sempre reclamando. De repente ela tem a oportunidade de montar um negócio e fazer aquilo que gosta, mas ela continua lá pelo simples fato da segurança, em vez de investir em algo que poderia fazê-la feliz”, avalia.

Tagawa tem uma frase que ilustra essa situação: “quer segurança? Compra uma geladeira”, diz. “Ela vai funcionar durante 20 anos, não vai quebrar, só que ela vai fazer sempre a mesma coisa.”

Plano B

No mundo do empreendedorismo, é comum os especialistas alertarem para a importância de qualquer indivíduo ter um Plano B na vida profissional. Isso implica em sair da zona de conforto e pesquisar, paralelamente ao emprego atual, formas alternativas de trabalho. Essas opções podem ser tanto dentro do seu campo de especialização como fora dele – desde que você tenha afinidade e interesse pela nova área.

A sugestão é que tal busca seja feita aos poucos, com começar um curso diferente, pensar em formas autônomas de trabalho, participar de eventos e ampliar a rede de relacionamentos.

O autoconhecimento é muito importante para quem quer sair da zona de conforto. É preciso conhecer a si mesmo para saber o que te move, quais são as suas limitações e anseios. De repente podemos ser mandados embora do emprego ou o parceiro com quem nos relacionamos há anos optar por encerrar a relação. Nesses casos, quem estiver consciente da impermanência da vida lidará melhor com a situação.

Mente, Vida Profissional

Como sair do ciclo de ‘apagar incêndios’ na vida empreendedora

2 de outubro de 2017

Quem é empreendedor sabe: vez ou outra é preciso “apagar incêndios” dentro da empresa, ou seja, resolver de última hora um caos instalado. O que não pode acontecer é essa forma de lidar com problemas ser institucionalizada no negócio. Viver apagando incêndios é insustentável no longo prazo, atrapalhando o crescimento e a produtividade.

A Filosofia do Bonsai originalmente nasceu na agência de publicidade do empresário Alexandre Tagawa, como forma de ajudá-lo a sair de um ciclo contínuo de incêndios a serem apagados. Isso ocorreu em 2008, após o estouro da crise econômica mundial e quando o empresário se viu obrigado a demitir grande parte da equipe.

Fazia anos que a agência de Tagawa operava sem um sistema de gestão institucionalizado. Tudo era controlado manualmente e era comum a equipe trabalhar de madrugada ou aos finais de semana para cumprir prazos. A chegada da crise foi como jogar álcool no fogo, aumentando as chamas.

A intenção era justamente trazer equilíbrio ao negócio, tanto no lado emocional dos funcionários quanto na parte prática, com organização e planejamento. A filosofia foi o começo de uma série de medidas implantadas ao longo dos anos no negócio, mas a ideia inicial era justamente começar a organizar a casa.

Inicialmente foram criadas a missão, visão e os valores da empresa. Isso foi feito com a participação de toda a equipe. Posteriormente, Tagawa pesquisou formas de ter um sistema de planejamento e organizar os esquemas internos de trabalho. Na parte tecnológica, foram implantadas ferramentas e softwares que acompanhassem a demanda de trabalho.

Sem organização negócio não se sustenta

Levou anos para Tagawa aprender, mas hoje o empresário sabe que sem organização um negócio não fica de pé. “Se você vai ser empresário e ter uma vida empreendedora, planejamento e gestão financeira são fundamentais para você prosperar.”

O empresário era jovem quando abriu o primeiro negócio. Aos 20 anos montou um salão de cabeleireiros junto com a mãe e, paralelamente, abriu uma pequena produtora de books fotográficos e eventos. Entrava em sociedades sem refletir muito e passou anos patinando, chegando a se endividar ao ponto de ter um oficial de Justiça batendo na sua porta para decretar a falência do negócio.

“As coisas eram cheias de altos e baixos. Eu não tinha fluxo de caixa, não tinha reserva. Sempre estava no vermelho. Eu ia tocando. Sabe quando você tem três tampinhas e cinco garrafas, tampa daqui e destampa dali? Era assim que acontecia.”

Separar as despesas é fundamental

Um de seus principais erros do passado era misturar as contas pessoais com as da empresa. Ou seja: ele mantinha uma só conta para pessoa física e jurídica. Não controlava o dinheiro que era do negócio e nem o seu salário. “Sabe o que acontece se você não tem um pró-labore e vai tirando dinheiro conforme a sua necessidade? Você nunca sabe se a empresa dá lucro.”

De acordo com ele, esse é um grande erro de boa parte dos empreendedores. Aí vem, novamente, a necessidade de “apagar incêndios”, ou seja, ir atrás de empréstimos altíssimos para pagar dívidas. “É um ciclo vicioso. Aí você entra em cheque especial, começa a pagar o mínimo dos cartões de crédito, começa a se endividar e vira uma bola de neve. Você não consegue mais controlar e quando vai ver, está quebrado.”

Com o passar do tempo, Tagawa percebeu que a Filosofia do Bonsai o ajudava também na vida pessoal. Ou seja, além de arrumar a casa nos negócios, ele viu a necessidade de estar equilibrado internamente. De acordo com o empreendedor, estar bem consigo mesmo é muito importante para quem quer tocar uma empresa: isso ajuda a ter foco e tranquilidade na hora de tomar decisões, reduzindo ainda mais a necessidade de apagar incêndios.

Autodesenvolvimento, Mente

Acumule conquistas ao invés de arrependimentos

29 de setembro de 2017

Por Gabriela Gasparin

“Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida”, disse o filósofo grego Sócrates. A ideia de refletir sobre a vida ajuda, e muito, na tomada de decisões e na concretização de um dia a dia mais agradável e feliz. Afinal, viver uma sequência rotineira de ações impensadas pode resultar em arrependimentos lá na frente. Mas, na prática, como a reflexão colabora para uma vida melhor?

Refletir sobre a vida só nos trás benefícios

Quase nada no mundo está sob nosso controle. A única coisa que efetivamente podemos controlar são as nossas ações, o nosso comportamento. Apesar disso, é comum seguirmos vivendo sem assumir as rédeas das nossas vidas. E fazemos isso porque simplesmente não paramos para pensar.

“Se é para levar a vida vivendo como gado, sem parar para refletir, sendo tocado até o matadouro, sem se desenvolver, mudar, aprender, a vida perde todo o seu sabor, a sua graça”, afirma o neurocientista Pedro Calabrez em palestra disponível no YouTube.

Apenas por meio da ação é que conseguimos efetivamente mudar o que nos incomoda. Porém, precisamos saber o que mudar. Para isso, a reflexão é fundamental. Precisamos entender o que nos incomoda e por quê.

Pensar para viver

Praticamente todos os filósofos defendem o pensar para viver. No livro “A vida que vale a pena ser vivida”, os autores Clóvis de Barros Filho e Arthur Meucci afirmam que Sócrates, por exemplo, fala sobre a importância de sabermos a essência das coisas antes de atuarmos sobre elas.

Por exemplo: é importante entender o que é amizade para avaliar se as relações com seus amigos de fato se enquadram nesse conceito para você. O mesmo vale com todas as coisas: o que deve ser um trabalho? O que é amor para você?

“Em tudo o que existe no mundo há alguma coisa que é sua essência, seu atributo principal, sua razão de ser. Desta forma, conhecer, seja lá o que for, implica conhecer esse seu atributo principal, isto é, aquilo sem o que toda e qualquer coisa não seria o que é. Assim, identificar a essência pressupõe identificar aquilo que faz ser.” E Sócrates vai mais longe, dizem os autores: o que é verdadeiro para cada um está na nossa alma. Ou seja, para o filósofo grego, o que pensa no homem é a sua alma.

Daí a importância de investigarmos a fundo quais são as nossas verdades para, posteriormente, agir ante elas. Ou seja: para tudo aquilo que não vai ao encontro do que acreditamos ou o que queremos, temos a possibilidade de mudar, de fazer diferente, de crescer e nos desenvolver. Isso só trará benefícios a nós mesmos. Afinal, como diz o poeta tibetano Milarepa: “minha missão é viver – e morrer- sem arrependimento.”

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Alma, Filosofia, Mente, Propósito

Como fazer o universo conspirar a nosso favor

27 de setembro de 2017

É popularmente conhecida a frase: “quando realmente queremos alguma coisa, o universo conspira a nosso favor”. Crenças à parte, a frase já pressupõe uma participação ativa nossa para que algo se realize, o querer. Realmente acreditamos que o que queremos é possível? O que estamos fazendo para tornar esses desejos realidade? Com essa etapa definida, ter fé que o universo vai nos ajudar é um estímulo a mais.

O universo conspira a favor do que?

Acreditar que o universo conspira a nosso favor pode nos ajudar, e muito, na concretização de objetivos. Afinal, especialistas em psicologia e neurociência afirmam que o pensamento positivo e o otimismo são muito importantes quando desejamos algo.

Porém, precisamos fazer a nossa parte. O filósofo Mário Sérgio Cortella nos alerta para a importância de sabermos identificar sonhos de delírio. “O sonho é aquilo que nos impulsiona, é um desejo que no futuro queremos buscar. O delírio carrega dentro de si a impossibilidade”, explica em vídeo disponível no YouTube.

Cortella esclarece: “sonhar tem que ter dentro de si a possibilidade de ser factível. O sonho é o desejo com factibilidade”. Como exemplo ele conta que por mais que queira ser o melhor jogador de futebol da Fifa em 2017, isso não será possível. “Eu não teria condição orgânica de fazer isso, nem se eu rezar muito, se minha mãe fizer novena, se eu ler o livro ‘O segredo’”, brinca.

‘Minha vida é feita de o universo conspirar’

O empresário Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, costuma dizer com frequência que o universo conspira a seu favor. “A minha vida é feita de o universo conspirar. Mesmo nas adversidades, parece que se abre um portal para mim e eu consigo sair da roubada. Isso é algo muito forte em minha vida”, garante.

Contudo, mesmo acreditando na força da atuação do universo sobre a vida, Tagawa passou a perceber, com o tempo, que quanto mais equilibrado ele está consigo mesmo, maior é a probabilidade de perceber essa sincronicidade com algo maior. “Quando você está equilibrado parece que acessa com mais facilidade o portal. Quando você está muito agitado, muito fora do eixo, em adversidades, você nem consegue perceber que ele existe”, afirma.

Ao estar equilibrado, você percebe um conexão com o universo em quase todos os movimentos que você faz na sua vida. “Minha intuição sobe, meu humor oscila menos e eu consigo ficar mais focado.”

Ansiedade, pressa, agitação e nervosismo eram sintomas muito comuns na vida de Tagawa, que sofreu durante muito tempo com a falta de equilíbrio. Após ser diagnosticado com uma doença e passar por uma cirurgia, ele percebeu que precisava dar um basta em hábitos que o prejudicavam. Desde então, medita, faz rituais, repete mantras e pratica atividades físicas diariamente.

Conspirar a favor é possível?

No blog Sobre Palavras, o autor Sérgio Rodrigues diz que o emprego do verbo “conspirar” com sentido positivo não está errado. “Trata-se de uma expansão semântica, com alguma dose de licença poética, em que a carga negativa da acepção mais conhecida desaparece para deixar apenas a ideia de ‘tramar em segredo’ para a obtenção de certo resultado, que tanto pode ser positivo quanto negativo”, defende.

De acordo com ele, o dicionário da Academia das Ciências de Lisboa diz que um dos significados de conspirar é: “conduzir ou levar a um resultado; contribuir para um fim”.

Filosofia, Mente

Como ter paciência e sabedoria para lidar com dificuldades

25 de setembro de 2017

Quando enfrentamos um período de dificuldades na vida é comum querermos sair dele imediatamente. Contudo, na maioria das vezes a experiência nos mostra que nada melhora de um dia para o outro. Sendo assim, como lidar com a fase ruim? Nessas horas, mais do que pressa, o que precisamos mesmo ter é paciência e sabedoria para saber qual atitude tomar e conseguir tirar algum aprendizado da experiência.

Como lidar com a fase ruim

Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, perdeu as contas de quantas vezes entrou em alguma tempestade na vida e tinha ansiedade para sair depressa. O que acontecia é que quanto mais ele tentava nadar em meio às ondas, sem direção, mais perdido ficava, quase se afogando.

De tanto cometer os mesmo erros, chegou uma hora em que percebeu que era possível aprender com eles. O poema intitulado Autobiografia em 5 capítulos o ajuda a perceber que, a cada queda, sempre há a chance de aprender e evitar um novo tombo.

O poema é contado em cinco capítulos. No primeiro o personagem cai em um buraco e levar uma eternidade para sair. Aos poucos, volta a cair no mesmo buraco, mas leva menos tempo para achar a saída. Até que, ao final, ele percebe que pode atravessar a rua para não cair novamente ou até mesmo fazer outro caminho.

Não resistir é importante

Aceitar e não resistir é uma atitude que nos ajuda a ter clareza para entender quais ações tomar. “Não é fácil, mas eu acredito que depois do tsunami não adianta você tentar nadar sem saber onde está. Você tem que olhar em volta, esperar baixar a onda e aí você vai entender o que aconteceu e pensar em quais as ações tomar”, aconselha Tagawa.

No bestseller “O poder do agora” o escritor alemão Eckhart Tolle diz que a resistência ao sofrimento apenas o intensifica. Ele nos chama a atenção para a sabedoria contida nas artes marciais: “não ofereça resistência à força opositora, submeta-se para superá-la”, sugere.

Os erros nos ensinam

Empresário, Tagawa já passou por crises muito profundas com a empresa e quase quebrou. “Antes eu não era um líder com capacidade. Passei maus bocados e sempre chegava ao fundo do poço para depois, com muito esforço, conseguir me levantar. Chegou uma hora que eu falei para mim mesmo: nunca mais vou passar por isso, eu nunca mais vou ter que renascer das cinzas”, lembra.

O caminho para adquirir a estabilidade não foi fácil. Exigiu perseverança. Porém, no caso de Tagawa, o principal fator que o fez evoluir foram de fato os erros. A cada queda, ele aprendeu o que não poderia ser repetido. Ele já fez dívidas, vivia no vermelho, quase quebrou a empresa, era um péssimo líder, não tinha gestão e nem planejamento.

“Hoje eu não faço mais dívida, a empresa é super saudável, tenho o processo todo na mão. Isso foi constituído também inspirado na Filosofia do Bonsai: com paciência, visão de futuro, planejamento, regando na hora certa, colocando o sol na hora certa e aí foi. Consegui atingir a maturidade. A gente não fica mais com aquela raiz curta, que bate o vento e te derruba.”

Filosofia, Mente

Quais crenças atrapalham seu crescimento?

19 de setembro de 2017

Ao longo da vida acumulamos uma série de crenças limitantes que atrapalham a nossa evolução. São ideias que ouvimos da nossa família, da sociedade ou que criamos e acreditamos profundamente que são verdade. Porém, muitas delas são apenas construções sociais ou da nossa mente. Precisamos quebrá-las para avançar etapas e crescer.

Como nascem as crenças limitantes

Tudo o que escutamos de nossos pais, na escola, de amigos e na mídia, além de situações que vivenciamos, constroem nossas crenças no decorrer da vida. Quando chegamos à fase adulta, acumulamos uma série de verdades absolutas sobre vários âmbitos da existência. A questão é que nem sempre essas crenças correspondem à realidade.

É assim que nascem as crenças limitantes: são ideias negativas a respeito de situações ou de nós mesmos que nos impedem de crescer. Elas agem sobre tudo o que pensamos, sentimos e fazemos.

Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, por exemplo, ouviu muito de seus familiares quando criança que ele não teria futuro, que se tornaria um “marginal”. Isso porque ele teve uma infância conturbada e era um aluno muito rebelde na escola.

A crença que ele construiu no decorrer da vida era a de que ele não seria capaz de ter sucesso sozinho. Ele se tornou um adulto inseguro. Estava sempre procurando alguém para estar ao seu lado nos negócios, mesmo que o sócio não fosse o ideal para o que ele precisava.

Crenças são como ímãs

As crenças são como ímãs, você crê em uma verdade e ela se torna real, diz a Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional. Isso acontece porque, quando estamos conectados com uma verdade, a vida nos trará situações que sejam compatíveis com tal vibração.

É necessários que criemos distância dessas crenças enraizadas dentro de nós para que possamos ressignificá-las. Toda vez que identificarmos um pensamento negativo vindo à nossa mente, devemos refletir se ele realmente é verdade ou se é apenas uma construção criada ao longo dos anos.

“Não é porque alguém disse que você é incapaz que isso é verdadeiro. Não é porque um relacionamento não deu certo uma vez, que toda vez será igual. Não é porque tudo ainda não está como queria em sua carreira e vida pessoal, que não vai conseguir”, alerta o Instituto Brasileiro de Coaching. De acordo com a organização, é muito importante ter esta consciência e buscar ser mais otimista em relação a si mesmo.

Quebre as crenças que te fazem mal

Tagawa afirma que precisou bater muito a cabeça para entender alguns comportamentos que repetia por conta de crenças limitantes que o atrapalhavam. Nos negócios, por exemplos, participou de várias sociedades que não deram certo até entender que elas eram apenas uma “muleta” para a sua insegurança.

Ele revela que precisou de resiliência para expandir esse pensamento. “Eu poderia ficar remoendo tudo aquilo que eu passei, com medo de tudo e não expandir para a vida”, lembra. “Todos os dias e eu acredito que a minha vida é próspera.”

Para superar a crença limitante, umas das ações é entender de onde ela veio. Por exemplo, se você pensa todos os dias que não é capaz de fazer algo, tente identificar o que te faz pensar dessa forma. Entenda a origem da crença e a transmute. Se sentir dificuldades, busque a ajuda de algum profissional para te ajudar.

Filosofia, Mente

Viver apressadamente só nos traz atrasos

11 de setembro de 2017

“O apressado come cru”, “a pressa é inimiga da perfeição”. A sabedoria popular nos ensina que a pressa não é uma boa companhia para as nossas vidas. Estamos cansados de saber disso, mas na prática é difícil eliminá-la do nosso dia a dia, não é mesmo? Uma boa maneira de aprender a como ter mais calma e paciência é olhar por outra ótica: perceber que viver apressadamente na verdade só nos traz atrasos.

Como termos mais calma e paciência

“Sempre que tive pressa, dei um passo pra trás”, garante o empresário Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai. Tanto no âmbito pessoal como profissional, ele afirma que a ansiedade o fez voltar muitas casas no “jogo da vida”. “Essa postura sempre me atrapalhou. Sempre tive pressa e ansiedade.”

Nos negócios, ele já aceitou mais clientes do que tinha capacidade de suportar; entrou em sociedades que não tinham solidez pensando apenas em resultados futuros que nunca chegavam. Na vida pessoal, precipitou-se ao entrar em um casamento sem o relacionamento estar maduro o suficiente. De nada adiantou ser tão apressado: chegou a receber pedidos de falência de empresas e precisou rever o casamento.

“A pergunta que a Filosofia do Bonsai faz é: qual é o tamanho do seu jardim? De quantos bonsai eu posso cuidar?”, sugere Alexandre. “Se eu quero ser um diretor, então é preciso saber da responsabilidade que envolve ter essa função em uma empresa. Você está disposto a assumir essa responsabilidade? Se sim, você pode seguir passo a passo o caminho para alcançar esse desejo.”

O prazer está na jornada

O que acontece é que muitas vezes queremos ser diretores, mas com responsabilidades de analistas, e isso não é possível. “O grande erro do ser humano é não saber o que ele quer”, avalia Tagawa.

Quem realmente gosta das funções executadas por um diretor, por exemplo, não vai ter pressa em atingir o posto sem antes aprender tudo o que é necessário para tal – afinal, o aprendizado será prazeroso em si.

“Com paciência, visão de futuro, planejamento, é aí que você consegue atingir a maturidade”, defende Tagawa. Quem cuida de um bonsai, por exemplo, sabe que leva muito tempo para a miniárvore ser moldada e ficar com galhos exóticos e bonitos. O bonsaísta tem consciência disso, mas se envolve no percurso até atingir o objetivo.

Sábia frase atribuída ao escritor britânico Gilbert Keith Chesterton diz: “uma das grandes desvantagens de termos pressa é o tempo que isso nos faz perder.” Em entrevista disponível no YouTube, o filósofo Mário Sérgio Cortella diz que há uma diferença entre pressa e velocidade. “Viver apressadamente não é viver velozmente. Velocidade é sinal de habilidade. Pressa, de desorganização e despreparo.”

Filosofia, Mente

Nossas cicatrizes são nosso maior legado

6 de setembro de 2017

Por Gabriela Gasparin

Existe uma disseminada frase da escritora dinamarquesa Izak Dinesen que diz: “todos os sofrimentos podem ser suportados se os convertermos numa história, ou se contarmos uma história sobre eles. Ser uma pessoa é ter uma história para contar”. Para o empresário Alexandre Tagawa, as cicatrizes que temos na vida nada mais são do que um legado. Foram as adversidades que ele encontrou pelo caminho que o levaram ao encontro da Filosofia do Bonsai, prática que tem transformado sua existência.

“As cicatrizes nada mais são do que um legado. Elas te mostram o quanto você pode ser forte”, afirma o empresário, que já passou por muitos altos e baixos na vida, tanto como empreendedor como na trajetória pessoal e familiar – suas vivências estão sendo compartilhadas aos poucos aqui neste blog e, em breve, toda a sua história estará registrada em um livro.

“Aquela cicatriz você vai transformar em história para você contar para alguém, compartilhar e dali gerar uma possibilidade de uma outra pessoa ouvir e compartilhar isso com outra, com outra, com outra… E assim a gente consegue unir pessoas prósperas”, acredita o empreendedor.

Dificuldades nos fazem crescer

As dificuldades nos fazem crescer, mas só conseguimos compreender o aprendizado depois que o problema já passou. Tal entendimento ocorre graças à nossa habilidade de recordar a história vivida, construindo uma nova narrativa sobre ela.

Há linhas que estudam a escrita de biografias para significar, ou ressignificar, nossas vidas após traumas, momentos difíceis ou fases de transformação – assim como Tagawa está fazendo com seus aprendizados.

Em seu livro “5 lições de storytelling”, o autor James McSill ressalta: “na vida, a grande força do storytelling vem do seu efeito inspirador, que permite às pessoas desconstruir, analisar e reinterpretar as próprias histórias a partir de suas próprias experiências, criar e recriar significados.”

A narrativa que fazemos sobre nós afeta nossa vida em si. McSill ressalta: “quanto mais conhecer de história para entender as histórias da sua vida, mais fácil será reinterpretá-las e transformá-las. Podemos narrar a mesma história com foco no problema ou na solução.”

‘Nós nos contamos a partir da nossa história’

Em “O nome do vento”, o autor Patrick Rothfuss explica que é como se o tempo todos nós contássemos uma história sobre nós mesmos dentro da nossa mente. E essa história é o que faz você ser quem você é. “Nós nos contamos a partir das histórias”, salienta Rothfuss.

Contadores de história e até especialistas em psicologia garantem que narrar nossas vidas ao outro é essencial. E muitos de nós sabemos o alívio que sentimos ao fazer um verdadeiro desabafo, não é mesmo?

De onde vem nossa necessidade de contar a própria história

Nossos hábitos de “contação de histórias” são antigos. No passado, a troca ocorria em círculos ao redor de uma fogueira no final do dia. Mais adiante, na cadeira posta em frente à calçada. Numa mesa de bar. Apesar de ainda contarmos com todas essas opções tradicionais, hoje essa tendência se intensificou, com a possibilidade de usarmos as redes sociais.

É claro que há todo um debate sobre o “espetáculo” que criamos com essa virtualização de nós mesmos em “avatares” online, costume que exige cuidado. Não é sadio quando se torna uma busca incessante e inconsciente por “curtidas”, por se tornar popular. Porém, o hábito e a vontade de nos fazer revelar para o mundo está dentro de nós.

Estudiosos da comunicação vão dizer que o ato de criar narrativas é intrínseco ao ser humano e faz parte de sua comunicação. E a comunicação, por sua vez, sempre foi a base da interação social e essencial para a vida do homem em sociedade, esclarece o jornalista Francisco Rudiger, em seu livro “Teorias da Comunicação”.

E taí a importância de falarmos – verdadeiramente – sobre nós mesmos. Ao nos narrar, marcamos nossa existência no mundo. Na Filosofia do Bonsai, a prática de conhecer a própria história é trabalhada dentro do pilar raiz. Afinal, quanto mais nos conhecemos, mais temos a possibilidade de atuar no mundo de forma inspiradora e próspera.

Que a nossa vida seja repleta de boas, e significativas, histórias!

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Autodesenvolvimento, Mente

Autobiografia em 5 capítulos: um poema para a vida

1 de setembro de 2017

No decorrer das nossas vidas, é frequente seguirmos padrões repetitivos de comportamento que sempre nos levam para a mesma direção: cair no buraco. Há um sábio poema escrito pela escritora norte-americana Portia Nelson que serve de inspiração para evitarmos novas quedas, aprendendo com cada uma delas. Chamado “Autobiografia em 5 capítulos”, o poema é conhecido mundo afora e é citado no livro “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer”, um clássico da espiritualidade e bestseller internacional.

Conheça o poema “Autobiografia em 5 capítulos”

O poema abaixo é praticamente um mantra de Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai. “Conhecer esse poema foi muito importante pra mim e me fez refletir sobre quanto eu posso evoluir com meus erros, reflete. O empresário foi apresentado ao texto em um dos cursos que fez no Instituto Tadashi Kadomoto, que aplica treinamentos comportamentais e vivenciais para o desenvolvimento pessoal.

Autobiografia em 5 capítulos (do “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer”)

  1. Ando pela rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Eu caio.

Estou perdido… sem esperança.

Não é culpa minha.

Leva uma eternidade para encontrar a saída.

  1. Ando pela mesma rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Mas finjo não vê-lo.

Caio nele de novo.

Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.

Mas não é culpa minha.

Ainda assim leva um tempão para sair.

  1. Ando pela mesma rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Vejo que ele ali está

Ainda assim caio… é um hábito.

Meus olhos se abrem.

Sei onde estou.

É minha culpa.

Saio imediatamente.

  1. Ando pela mesma rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Dou a volta.

  1. Ando por outra rua.

Padrões comportamentais repetitivos

No “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer”, o lama Sogyal Rinpoche diz que caímos com frequência em arraigados padrões repetitivos de comportamento e começamos a nos ansiar por nos livrar deles. “Podemos, é claro, recair neles muitas e muitas vezes, mas lentamente saímos deles até a mudança acontecer.”

No livro, aliás, o autor usa o poema para nos instigar a refletir sobre a morte – o que tendemos a evitar, não é mesmo? Contudo, apesar de nunca pensarmos sobre esse fato inegável da vida, é quase inevitável cairmos no buraco quando ela chega até nós. “A finalidade de refletir sobre a morte é fazer uma mudança real nas profundezas do seu coração e chegar a aprender como ‘evitar o buraco na calçada’ e como ‘andar por outra rua’.”

Mudar padrões repetitivos, salienta o lama, com frequência vai exigir um período de retiro e de profunda contemplação. “Somente isso pode abrir nossos olhos para o que estamos fazendo da nossa vida”, sugere. A recomendação dele vai ao encontro da proposta da Filosofia do Bonsai, que propõe momentos de introspecção diária por meio da meditação ou meditação ativa.

Tagawa, aliás, usa o poema para refletir sobre as escolhas, o que acredita ser fundamental para o processo de aprendizado e amadurecimento. É por meio da prática da Filosofia do Bonsai que ele consegue se manter equilibrado, aumentando seu nível de consciência. Além da meditação, entre as práticas diárias realizadas por ele estão: realizar exercícios físicos, uma alimentação equilibrada e os rituais. “A partir do momento que eu tenho essa prática eu não preciso mais voltar ao Capítulo 1, eu consigo navegar entre o Capítulo 3 e o Capítulo 5”.

De acordo com Tagawa, claro que na vida há momentos que caímos no buraco – mas o equilíbrio ajuda a sairmos dele rapidamente ou sequer andarmos pela rua onde ele está. “Então, preste atenção se você está caindo em um buraco e levando uma eternidade pra sair, se você está acostumado a conviver com essa situação ou acostumado a deixar com que a vida siga sem muita reação sua para fazer diferente”, aconselha.