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Filosofia, Mente

Como ter paciência e sabedoria para lidar com dificuldades

25 de setembro de 2017

Quando enfrentamos um período de dificuldades na vida é comum querermos sair dele imediatamente. Contudo, na maioria das vezes a experiência nos mostra que nada melhora de um dia para o outro. Sendo assim, como lidar com a fase ruim? Nessas horas, mais do que pressa, o que precisamos mesmo ter é paciência e sabedoria para saber qual atitude tomar e conseguir tirar algum aprendizado da experiência.

Como lidar com a fase ruim

Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, perdeu as contas de quantas vezes entrou em alguma tempestade na vida e tinha ansiedade para sair depressa. O que acontecia é que quanto mais ele tentava nadar em meio às ondas, sem direção, mais perdido ficava, quase se afogando.

De tanto cometer os mesmo erros, chegou uma hora em que percebeu que era possível aprender com eles. O poema intitulado Autobiografia em 5 capítulos o ajuda a perceber que, a cada queda, sempre há a chance de aprender e evitar um novo tombo.

O poema é contado em cinco capítulos. No primeiro o personagem cai em um buraco e levar uma eternidade para sair. Aos poucos, volta a cair no mesmo buraco, mas leva menos tempo para achar a saída. Até que, ao final, ele percebe que pode atravessar a rua para não cair novamente ou até mesmo fazer outro caminho.

Não resistir é importante

Aceitar e não resistir é uma atitude que nos ajuda a ter clareza para entender quais ações tomar. “Não é fácil, mas eu acredito que depois do tsunami não adianta você tentar nadar sem saber onde está. Você tem que olhar em volta, esperar baixar a onda e aí você vai entender o que aconteceu e pensar em quais as ações tomar”, aconselha Tagawa.

No bestseller “O poder do agora” o escritor alemão Eckhart Tolle diz que a resistência ao sofrimento apenas o intensifica. Ele nos chama a atenção para a sabedoria contida nas artes marciais: “não ofereça resistência à força opositora, submeta-se para superá-la”, sugere.

Os erros nos ensinam

Empresário, Tagawa já passou por crises muito profundas com a empresa e quase quebrou. “Antes eu não era um líder com capacidade. Passei maus bocados e sempre chegava ao fundo do poço para depois, com muito esforço, conseguir me levantar. Chegou uma hora que eu falei para mim mesmo: nunca mais vou passar por isso, eu nunca mais vou ter que renascer das cinzas”, lembra.

O caminho para adquirir a estabilidade não foi fácil. Exigiu perseverança. Porém, no caso de Tagawa, o principal fator que o fez evoluir foram de fato os erros. A cada queda, ele aprendeu o que não poderia ser repetido. Ele já fez dívidas, vivia no vermelho, quase quebrou a empresa, era um péssimo líder, não tinha gestão e nem planejamento.

“Hoje eu não faço mais dívida, a empresa é super saudável, tenho o processo todo na mão. Isso foi constituído também inspirado na Filosofia do Bonsai: com paciência, visão de futuro, planejamento, regando na hora certa, colocando o sol na hora certa e aí foi. Consegui atingir a maturidade. A gente não fica mais com aquela raiz curta, que bate o vento e te derruba.”

Filosofia, Mente

Nossas cicatrizes são nosso maior legado

6 de setembro de 2017

Por Gabriela Gasparin

Existe uma disseminada frase da escritora dinamarquesa Izak Dinesen que diz: “todos os sofrimentos podem ser suportados se os convertermos numa história, ou se contarmos uma história sobre eles. Ser uma pessoa é ter uma história para contar”. Para o empresário Alexandre Tagawa, as cicatrizes que temos na vida nada mais são do que um legado. Foram as adversidades que ele encontrou pelo caminho que o levaram ao encontro da Filosofia do Bonsai, prática que tem transformado sua existência.

“As cicatrizes nada mais são do que um legado. Elas te mostram o quanto você pode ser forte”, afirma o empresário, que já passou por muitos altos e baixos na vida, tanto como empreendedor como na trajetória pessoal e familiar – suas vivências estão sendo compartilhadas aos poucos aqui neste blog e, em breve, toda a sua história estará registrada em um livro.

“Aquela cicatriz você vai transformar em história para você contar para alguém, compartilhar e dali gerar uma possibilidade de uma outra pessoa ouvir e compartilhar isso com outra, com outra, com outra… E assim a gente consegue unir pessoas prósperas”, acredita o empreendedor.

Dificuldades nos fazem crescer

As dificuldades nos fazem crescer, mas só conseguimos compreender o aprendizado depois que o problema já passou. Tal entendimento ocorre graças à nossa habilidade de recordar a história vivida, construindo uma nova narrativa sobre ela.

Há linhas que estudam a escrita de biografias para significar, ou ressignificar, nossas vidas após traumas, momentos difíceis ou fases de transformação – assim como Tagawa está fazendo com seus aprendizados.

Em seu livro “5 lições de storytelling”, o autor James McSill ressalta: “na vida, a grande força do storytelling vem do seu efeito inspirador, que permite às pessoas desconstruir, analisar e reinterpretar as próprias histórias a partir de suas próprias experiências, criar e recriar significados.”

A narrativa que fazemos sobre nós afeta nossa vida em si. McSill ressalta: “quanto mais conhecer de história para entender as histórias da sua vida, mais fácil será reinterpretá-las e transformá-las. Podemos narrar a mesma história com foco no problema ou na solução.”

‘Nós nos contamos a partir da nossa história’

Em “O nome do vento”, o autor Patrick Rothfuss explica que é como se o tempo todos nós contássemos uma história sobre nós mesmos dentro da nossa mente. E essa história é o que faz você ser quem você é. “Nós nos contamos a partir das histórias”, salienta Rothfuss.

Contadores de história e até especialistas em psicologia garantem que narrar nossas vidas ao outro é essencial. E muitos de nós sabemos o alívio que sentimos ao fazer um verdadeiro desabafo, não é mesmo?

De onde vem nossa necessidade de contar a própria história

Nossos hábitos de “contação de histórias” são antigos. No passado, a troca ocorria em círculos ao redor de uma fogueira no final do dia. Mais adiante, na cadeira posta em frente à calçada. Numa mesa de bar. Apesar de ainda contarmos com todas essas opções tradicionais, hoje essa tendência se intensificou, com a possibilidade de usarmos as redes sociais.

É claro que há todo um debate sobre o “espetáculo” que criamos com essa virtualização de nós mesmos em “avatares” online, costume que exige cuidado. Não é sadio quando se torna uma busca incessante e inconsciente por “curtidas”, por se tornar popular. Porém, o hábito e a vontade de nos fazer revelar para o mundo está dentro de nós.

Estudiosos da comunicação vão dizer que o ato de criar narrativas é intrínseco ao ser humano e faz parte de sua comunicação. E a comunicação, por sua vez, sempre foi a base da interação social e essencial para a vida do homem em sociedade, esclarece o jornalista Francisco Rudiger, em seu livro “Teorias da Comunicação”.

E taí a importância de falarmos – verdadeiramente – sobre nós mesmos. Ao nos narrar, marcamos nossa existência no mundo. Na Filosofia do Bonsai, a prática de conhecer a própria história é trabalhada dentro do pilar raiz. Afinal, quanto mais nos conhecemos, mais temos a possibilidade de atuar no mundo de forma inspiradora e próspera.

Que a nossa vida seja repleta de boas, e significativas, histórias!

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Alma, Propósito

Frases que nos inspiram a tomar coragem para seguir o caminho do coração

30 de agosto de 2017

Por Gabriela Gasparin

“Numa terra de fugitivos, aquele que anda na direção contrária parece estar fugindo”, diz disseminada máxima do poeta inglês T. S. Eliot. Frase com significado muito semelhante é de autoria de outro poeta, o polonês Stanislaw Jerzy Lec: “para chegar à fonte, é preciso nadar contra a corrente”. As imagens transmitidas pelas palavras desses sábios pensadores nos inspiram a tomar coragem para seguir o caminho do coração.

Dê o primeiro passo rumo ao caminho do coração

Caso as duas frases ainda não tenham servido de inspiração para você dar agora o primeiro passo rumo ao que sempre sonhou, outra dica é imaginar as seguintes cenas: é um dia de muito calor e você está finalmente chegando embaixo de uma energética cachoeira, após o esforço de ter nadado contra a correnteza. Ou: você está se despedindo de uma empresa, grupo ou comunidade da qual participava, mas sente que aquele lugar não te pertence mais.

Qual sensação você sentiu? Liberdade, alívio, felicidade e alegria são respostas possíveis. Contudo, todos sabemos que outras sensações muito diferentes podem estar impedindo a ação: medo, insegurança, sofrimento, abdicação e dor, por exemplo.

No caminho a toda conquista ou vitória, há sempre um esforço ou dificuldade a ser vencida e superada. Contudo, estudiosos e especialistas asseguram que mais vale arriscar-se do que viver na frustração.

Comece a voar

Vencer o medo é o primeiro passo a ser dado. Um trecho de autoria do escritor francês Guilherme Apollinaire diz: “nós os conduzimos até a borda e pedimos que voassem. Eles não arredaram o pé. Voem, dissemos. Eles não se mexeram. Nós os empurramos para o abismo. E eles voaram.”

Temos medo de não conseguir, de sofrer e de passar por dificuldades. Tememos até o que os outros vão pensar de nós caso comecemos a fazer o que realmente queremos. Enquanto isso, ficamos no campo do desejo e não partimos para a ação. E por isso que uma característica importantíssima precisa estar presente em nós para que possamos “pular no abismo e começar a voar”: o otimismo e a crença de que tudo dará certo.

O filósofo alemão Goethe nos faz refletir que quando caminhamos rumo ao caminho do coração, coisas inimagináveis acontecem para a nossa realização:

“Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental, cujo desconhecimento mata inúmeras ideias e planos esplêndidos: a de que no momento em que nos comprometemos definitivamente, a Providência move-se também. Toda uma corrente de acontecimentos brota da decisão, fazendo surgir a nosso favor toda sorte de incidentes, encontros e ajuda que nenhum homem sonharia que viesse em sua direção. Se você é capaz de sonhar, então já é capaz de realizar. A coragem contém em si mesma genialidade, poder e magia. Comece agora.”

‘Não confunda derrota com fracasso’

Ao adentrarmos o caminho do coração, temos que ter consciência, contudo, de que coisas podem dar errado. Nessas horas, ter resiliência é fundamental.

O filósofo Mário Sérgio Cortella, em entrevista à rádio CBN durante as Olimpíadas de 2016, falou sobre a capacidade dos atletas de não temerem a derrota. “Não confunda derrota com a ideia de fracasso. Uma pessoa não fracassa quando ela é derrotada, ela fracassa quando desiste após ser derrotada”, ressaltou.

De acordo com Cortella, só conseguimos a capacidade de equilíbrio naquilo que pratica quando admite que, vez ou outra, é tirada do caminho da vitória. “O fracasso existe quando você desiste sem tentar de novo. A derrota ela faz parte, não é a coisa mais gostosa, mas é um componente da vida.”

 

*Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria

Filosofia, Mente

Use os dias da semana para medir a qualidade de vida e garanta equilíbrio e bem-estar

28 de agosto de 2017

O que é ter uma vida boa para você? Na Filosofia do Bonsai, quanto mais equilibrados somos ao praticar aquilo que faz bem para o nosso corpo e mente, maior é a probabilidade de sentirmos bem-estar. Usar os dias da semana para medir a qualidade de vida, ou seja, o nível de satisfação pessoal com a rotina que levamos, pode nos ajudar a atingir o equilíbrio. Uma forma é aplicar o conceito “5 por 2”, como propõe Alexandre Tagawa, idealizador da filosofia.

Como medir a qualidade de vida?

Foi aos poucos que o empresário Tagawa descobriu que práticas como meditação, rituais, alimentação saudável e a realização de atividades físicas colaboravam para que a vida dele fosse mais harmônica e equilibrada. Contudo, durante muito tempo ele praticou essas atividades de forma irregular: ou seja, meditava só de vez em quando, fazia muitos exageros na alimentação durante a semana e só praticava exercícios físicos esporadicamente.

A falta de comprometimento resultava em uma vida cheia de altos e baixos. Ele vivia ansioso, estressado ou irritável. Não era raro descontar essa ansiedade em exageros na alimentação, comendo mais para “compensar” o nervoso – aquele hábito que muitos de nós conhecemos. Outro reflexo do desequilíbrio emocional era sentido no relacionamento pessoal e profissional, com brigas e discussões frequentes com familiares ou funcionários.

Ele vivia dessa forma até que resolveu fazer um “check up” geral e recebeu o diagnóstico de ter Esôfago de Barrett (que é, de forma simples, uma agressão ao esôfago por conta de refluxo). Ele precisou passar por uma cirurgia e desde então modificou todos os seus hábitos alimentares e de saúde física e mental. Caso não tivesse detectado a doença, ela poderia se desenvolver para um câncer no futuro.

Bem-estar medido pelos dias da semana

Tagawa começou a sentir os reflexos das práticas propostas pela Filosofia do Bonsai quando se comprometeu a realizá-las quase todos os dias. Quando percebeu o bem que essa regularidade proporcionava para o seu corpo e mente, criou a própria régua para se manter “na linha”.

O sistema, nomeado por ele de “5 por 2”, funciona da seguinte forma: dos sete dias da semana, ele se organiza para cumprir os preceitos da filosofia por no mínimo cinco dias. Se conseguir mais, por seis ou sete dias, melhor ainda.

“Se você conseguir estar ao menos cinco dias da semana bem, alimentando-se bem, meditando, fazendo rituais, praticando exercícios físicos, você vai realmente conseguir suportar qualquer adversidade”, assegura.

Tagawa acredita que esse conceito de “5 por 2” pode ajudar as pessoas a encontrarem o caminho da alegria, da felicidade, da espiritualidade e da saúde. “O que eu idealizo é o ‘6 por 1’, ou seja, manter o total equilíbrio por seis dias para em um deles poder comer um pouco mais, beber álcool, deixar de praticar exercício físico”, explica.

Cada um pode usar a régua para cumprir qualquer meta para a vida pessoal ou profissional. Ela nos permite prosseguir quando damos aquela escapadinha daquilo que propomos, pois sabemos que ainda há outros dias pelas frente para compensar o dia desequilibrado.

“Eu só comecei a tomar a consciência de que é muito fácil medir seu grau de felicidade quando comecei a usar os dias da semana. A semana tem sete dias. Você precisa estar pelo menos cinco dias bem com você mesmo. Isso já mostra que você está no caminho do equilíbrio”, conclui.

Alma, Espiritualidade

A metáfora do ‘trem da vida’: como aceitar a impermanência das coisas

22 de agosto de 2017

Acostumar-se com a chegada e partida de pessoas na nossa vida não é fácil. Nem sempre amizades duram para sempre ou continuam como eram no passado. E às vezes aqueles que conhecemos há pouco tempo se tornam muito importantes para nós. Na Filosofia do Bonsai, a metáfora do “trem da vida” nos ajuda a refletir sobre essa impermanência, aceitando as entradas e saídas dos passageiros a cada estação.

Nossa vida é como uma viagem de trem

“Nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques…”, diz um trecho de um texto popularmente disseminado, de autor desconhecido.

Comparar a nossa jornada com uma viagem de trem nos ajuda a entender a impermanência das relações. Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, utiliza muito dessa metáfora para si mesmo. Ela o ajuda a compreender e aceitar a chegada e partida de pessoas em sua trajetória.

“Eu sou um trem. Lá no fundo existe um arco-íris com um pote de ouro. E é o trem da vida. Eu paro em várias estações, e tem muitas pessoas que descem, outras sobem, e tem algumas pessoas que estão comigo desde que eu comecei minha jornada, e que não descem”, explica.

Tagawa acredita ser importante saber permitir que alguns desçam em determinada estação; afinal de contas, nem todos que estão no trem vão para o mesmo destino. Da mesma forma, é preciso estar atento e manter a porta aberta para que outros embarquem.

“Às vezes a gente pensa: poxa, aquela pessoa era a mais importante da minha vida naquele momento e está desembarcando? Sim, naquela passagem era, só que ela desceu e pode ser que você não encontre nunca mais essa pessoa. Deixe a pessoa descer e permita que outra pessoa suba”, avalia.

Lei da impermanência

É amplamente conhecida a Lei da Impermanência, que diz que tudo está em movimento e nada é igual ao momento seguinte. Tal conceito é comum nas sabedorias orientais. No ocidente muitas vezes somos ensinados a acreditar que as coisas duram “para sempre”, o que é uma ilusão.

“Se quer saber a verdade da vida e da morte, precisa refletir continuamente sobre isso. Há somente uma lei que nunca muda no Universo – é a de que todas as coisas mudam, todas as coisas são impermanentes”, disse Buda a uma mulher que sofria muito por ter perdido um filho recém-nascido.

O ensinamento nos auxilia tanto em partidas eternas – como a morte – como a daquelas de pessoas que estavam no mesmo trem – e às vezes até no mesmo vagão – que nós, mas precisaram descer.

“Vai acontecer. É inerente da nossa existência isso. Não é uma coisa que você controla. O que você controla são as suas escolhas. As pessoas que entraram no trem você vai escolher se quer ter uma jornada com ela ou não, curta, média ou de longo prazo. Assim como eu já desci do trem de um monte de gente”, sugere Tagawa.

É importante não nos apegarmos ao que vai embora e termos paciência de aceitar os processos transitórios da vida. “O grande mistério afinal é que nunca saberemos em qual parada iremos descer, muito menos nossos companheiros de viagem”, explica o texto amplamente disseminado.

Às vezes estamos em um vagão que fica vazio em uma estação, mas logo o trem chega na próxima e novos embarques acontecem e precisamos estar prontos para abrir a porta e permitir que a viagem prossiga para onde buscamos ir.

Filosofia, Mente

Quais valores guiam suas escolhas e decisões na vida?

14 de agosto de 2017

Você já parou para pensar em quais são os seus valores? Aqueles que permeiam suas escolhas e decisões na vida? Na Filosofia do Bonsai, conhecer a fundo os próprios valores é fundamental para ter uma vida próspera e equilibrada – item que é trabalhado dentro do pilar raiz. Ter em mente cada valor que nos guia é essencial para não cairmos em contradições com o que buscamos ou acreditamos. Mas, antes disso, é preciso entender o que é valor e como identificar os seus.

Afinal, o que são valores humanos?

“O valor de um homem mede-se pelo seu querer, não pelo seu saber”, explica o filósofo alemão Johann Friedrich Herbart. A frase nos ajuda a entender o significado de valor humano. Os valores são as verdades que guiam nossas decisões; ou seja, aquilo que internamente buscamos porque é importante para a nossa vida.

No livro “Desperte o Gigante Interior”, o renomado especialista em neurolinguística Anthonny Robbins esclarece: “qualquer coisa que você muito preza pode ser considerada um valor”. Ele explica que prezar alguma coisa significa atribuir-lhe importância.

Conhecer o que é de fato importante para nós, o que realmente defendemos, é essencial na hora de definir valores, pois são essas características que devem guiar nossos comportamentos e ações. “Os valores guiam cada decisão que tomamos, e assim o nosso destino”, defende Anthonny Robbins em seu livro.

Como identificar seus valores

“Só o tolo confunde o valor com o preço”, afirma o poeta espanhol Antonio Machado. Hobbins sugere que há dois tipos de valores: os meios e os finais. E explica os conceitos da seguinte maneira:

“‘Quais são as coisas a que dá mais valor?’, você pode responder ‘Amor, família, dinheiro…’ Desses, o amor é o valor final que está procurando; em outras palavras, o estado emocional que deseja. Por outro lado, família e dinheiro são apenas valores que servem como meios. Em outras palavras, servem para você acionar os estados emocionais que realmente deseja.” O dinheiro, por exemplo, é um meio que pode levar a determinado valor final: que pode ser segurança, afirma.

O autor lista os valores finais invariavelmente citados por participantes em seminários, que são: Amor, sucesso, liberdade, intimidade, segurança, aventura, poder, paixão, conforto e saúde.

Robbins ressalta que quando não conseguimos definir o que é mais importante nas nossas vidas, a tomada de decisão se torna uma forma de tortura interior. “Precisamos compreender que a direção de nossas vidas é controlada pela pressão magnética de nossos valores. São a força à nossa frente, sistematicamente nos levando a tomar decisões que criam o rumo e supremo destino de nossas vidas.”

Paz de espírito

Viver de acordo com os valores, aliás, gera não só poder de decisão, mas também paz de espírito. Para Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, isso ocorre a partir do momento que conseguimos entender que valores são inegociáveis – pois não abriremos mão deles na hora de decidir o caminho a seguir. “Na hora que você realmente constitui seus valores, no que você acredita, vai atrás disso”, defende.

Seja na vida pessoal ou profissional, devemos entender que viveremos por esses valores, não importa o que aconteça. E tal coerência deve ocorrer independente de haver ou não recompensas, ressalta Hobbins.

De acordo com o autor, devemos viver por nossos princípios mesmo em meio às tempestades, mesmo quando ninguém nos concede o apoio de que precisamos. E acrescenta: “o único meio de ter a felicidade a longo prazo é viver por nossos ideais mais altos; agir sistematicamente em consonância com o que acreditamos é fundamental em nossa vida.”

Filosofia, Mente

‘Toda grande caminhada começa com um simples passo’, disse Buda

4 de agosto de 2017

“Toda grande caminhada começa com um simples passo”. Atribuída a Buda, essa frase é um estímulo e tanto a ser lembrado toda vez que formos começar uma mudança, da mais simples à mais complexa. Pode ser trocar de emprego, fazer novas amizades, morar fora ou mudar radicalmente de vida. Seja lá qual for seu desejo, lembre-se: para o sonho ser concretizado é indispensável dar o primeiro passo.

O que nos impede de dar o primeiro passo

Começar uma mudança sempre parece ser mais difícil do que dar continuidade a algo que já foi iniciado. É por isso que o poeta da Roma antiga Horácio disse: “quem começa uma coisa já tem metade feita”.

Fatores como preguiça, insegurança, medo e ansiedade são características paralisantes que nos impedem de realizar sonhos e atingir objetivos. Eles precisam ser combatidos quando percebemos que estamos procrastinando na hora de colocar um plano em prática.

Perguntas que podem ser feitas são: por que estou tão inseguro para tomar tal atitude? O que temo? Por que tenho tanta preguiça de começar a me exercitar? Por que estou com medo de mudar de emprego? Por meio do autoconhecimento encontramos as respostas dentro de nós mesmos, e isso nos ajuda a entender o que está nos impedindo de caminhar.

Começar é mais simples do que parece

Outra ação importante é ter consciência de que o primeiro passo geralmente é mais simples do que se imagina. É comum ficarmos ansiosos quando olhamos apenas para o objetivo final, para o resultado esperado lá na frente. A ansiedade nos atrapalha a focar nas ações práticas que precisam ser tomadas, cada uma a seu tempo, para atingir o desejo final.

Toda meta tem uma primeira ação, algo imprescindível para que ela seja concretizada. Se o objetivo é mudar de emprego, é preciso fazer um plano de ação e pensar: que medida devo tomar diariamente para atingir essa meta, e dentro de quanto tempo? Você provavelmente terá de se planejar para se candidatar a vagas ou entrar em contato com empresas. O primeiro passo pode ser enviar um e-mail por dia para cada empresa onde pretende trabalhar, o que não é tão difícil assim.

O mesmo vale para qualquer sonho: pesquisar o que é preciso fazer para realizá-lo é indispensável para chegar ao objetivo.

Disciplina para alcançar objetivos

Estar em equilíbrio com o corpo e a mente também nos ajuda a ter foco para realizar objetivos. Muitas medidas propostas na Filosofia do Bonsai para se ter uma vida equilibrada, por exemplo, exigem disciplina.

Alimentar-se bem, fazer atividades físicas com frequência, cuidar da mente por meio de meditação, rituais ou respiração são práticas que proporcionam bem-estar e maior qualidade de vida. Contudo, para sentir os resultados positivos é preciso começar.

Dar o primeiro passo não significa fazer uma mudança radical de um dia para outro, alcançar o objetivo amanhã. Quando paramos para olhar nas ações possíveis para serem feitas a cada dia, as limitações desaparecem. Há um poema Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, que diz: “na véspera de não partir nunca, ao menos não há que arrumar malas, nem que fazer planos em papel”.

Se formos pensar assim, jamais partiremos e viveremos na véspera de concretizar nossos sonhos. Que tal fazer o tão esperado amanhã chegar, começando por hoje?

Alma, Espiritualidade

Respirar com atenção ajuda a controlar a ansiedade

2 de agosto de 2017

Por Gabriela Gasparin

Falta de tranquilidade; respiração ofegante; sensação de aflição e batimentos cardíacos acelerados. Esses são alguns sintomas de algo que é tido por especialistas como o “mal do século”: a ansiedade. O ansioso está desconectado do momento atual, com a mente no futuro – seja esperando algo positivo ou negativo. Uma importante técnica que ajuda a controlar a ansiedade e nos traz de volta para o “aqui e agora” é a respiração.

Como a respiração controla a ansiedade

“A ansiedade é você não estar presente no presente. É você estar neste momento aqui pensando no que vai acontecer no futuro, como será e o que eu vou fazer em seguida. Então eu não estou inteiro fazendo o que estou fazendo, o meu reloginho interno está mais rápido do que o relógio vida, o tempo”, explica a Monja Coen, monja zen budista brasileira, em um vídeo sobre a ansiedade.

Prestar atenção na nossa respiração é importante para controlar a ansiedade por um motivo simples: não temos como respirar no futuro. A respiração só acontece no momento presente. Dessa forma, quando movemos nossa atenção para o ato de respirar, obrigatoriamente trazemos a nossa mente para o momento atual.

Quando a ansiedade vier, a sugestão é parar, prestar atenção na respiração e trabalhá-la. “Eu vou procurar fazer a respiração mais longa e audível para mim. Procurar perceber meu batimento cardíaco”, sugere Coen. A dica é mover os pensamentos para o instante atual. “Se eu falar: pare de ficar ansiosa, eu vou ficar mais”, afirma a monja. Depois, reflita: o que causou a ansiedade? Qual é a expectativa?

Não podemos lidar com o futuro

No livro “O Poder do Agora”, o escritor alemão Eckhart Tolle reforça que “o desconforto, a ansiedade, a tensão, o estresse, a preocupação, todas essas formas de medo são causadas por excesso de futuro e pouca presença”.

Ele salienta que tal sensação de nada nos ajudará, uma vez que “podemos sempre lidar com uma situação no momento em que ela se apresenta, mas não podemos lidar com algo que é apenas uma projeção mental. Não podemos lidar com o futuro.”

Tolle menciona, ainda, uma sábia citação de Jesus Cristo: “‘por que vocês estão sempre ansiosos?’, perguntou Jesus aos seus discípulos. ‘Será que os seus pensamentos ansiosos podem acrescentar um simples dia às vossas vidas?’”. Da mesma forma, completa o autor, Buda ensinou que a raiz do sofrimento pode ser encontrada em nossos desejos e ansiedades permanentes.

Ter pressa nos faz perder tempo

Além do mal-estar físico, ficar ansioso atrapalha na concretização de objetivos que, paradoxalmente, ansiamos por alcançar. É como diz uma sábia frase atribuída ao escritor britânico  G. K. Chesterton: “uma das grandes desvantagens de termos pressa é o tempo que isso nos faz perder.”

Em uma entrevista sobre a pressa, disponível na internet, o filósofo Mário Sérgio Cortella diz que há uma diferença entre pressa e velocidade. “Viver apressadamente não é viver velozmente. Velocidade é sinal de habilidade. Pressa, de desorganização e despreparo”, reflete.

Apressados ou ansiosos, a respiração sempre nos ajuda a encontrar nosso eixo e resgatarmos o foco para realizar o que precisa ser feito no momento presente. Ela é um indicador de como estamos internamente. Sempre que o batimento cardíaco acelerar, não se esqueça: pare por poucos segundos, inspire e expire algumas vezes e diga “olá” para o aqui e agora.

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Autodesenvolvimento, Mente

Como desenvolver a resiliência para alcançar metas e objetivos

18 de julho de 2017

“Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades”. A frase, do filósofo grego Epícuro, nos estimula a ter força e persistir nos momentos difíceis da vida, ou seja, a sermos resilientes. Tal característica não é fácil de ser alcançada, mas desenvolver a resiliência é essencial para todos os que desejam vencer obstáculos e atingir objetivos de longo prazo.

Como desenvolver a resiliência

Na física, resiliência é a propriedade que alguns corpos têm de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Adaptado às nossas vidas, o termo representa nossa capacidade de recuperação ante os desafios da vida.

Ser uma pessoa resiliente é conseguir enfrentar obstáculos, mudanças e situações imprevistas sem perder a esperança ou se desesperar – ou seja, não se deixar derrotar ante as adversidades. É passar por desafios com dignidade, absorvendo os aprendizados, e ter capacidade de recomeçar ou se reerguer. Mas como desenvolver tal habilidade?

Cuide do corpo e da mente

Cuidar do corpo e da mente é uma forma de manter o equilíbrio e estar preparado para agir com maturidade na hora em que surgir um grande problema. Outro ponto é conhecer a si mesmo e saber quais são suas crenças, valores e objetivos. Estar certo de onde se quer chegar é um estímulo e tanto para manter-se firme e não desistir logo no primeiro desafio.

Dentro da Filosofia do Bonsai, uma maneira de praticar o autoconhecimento é por meio da meditação, da prática de rituais diários e da busca por conhecimento (como leituras, terapias ou conversas). Conhecer as próprias raízes também é de extrema importância: conhecer a própria essência e do que somos capazes nos dá segurança e confiança para seguirmos adiante, mesmo quando tudo der errado.

Aprenda com os erros

“A resiliência é um grande motivador. Durante a vida toda eu tive que praticar resiliência, mesmo não tendo conhecimento da palavra, porque são tantas adversidades, você tem que mudar tantas vezes de direção que se você não tem resiliência, você quebra”, afirma o empresário Alexandre Tagawa, idealizador da filosofia.

Empreendedor desde os 20 anos, ele já fechou negócios por inexperiência ou problemas de gestão. Tagawa revela que, no passado, agia muito por impulso. Primeiro aceitava os desafios para depois pensar como iria resolvê-los.

Foi “batendo cabeça” que o empresário aprendeu a ter resiliência, persistência, e a reerguer-se a cada queda. Nesse sentido, a prática da Filosofia do Bonsai o ajudou a manter-se equilibrado internamente e a ter força para recomeçar quando necessário.

Assim como um elástico consegue voltar ao normal após ser esticado, nós também temos tal capacidade; basta estarmos preparados para aguentar sermos “esticados” com firmeza. Ao voltarmos ao nosso estado natural, conseguimos entender o que ficou do movimento.

“É que nem em um tsunami: você consegue avaliar o tsunami quando ele está no seu auge? Não dá. Você tem que esperar a água baixar para ver o estrago que foi feito. Aí você entende o que pode fazer. Não dá para agir com a água cobrindo tudo”, avalia Tagawa.

Mente, Vida Profissional

Conhecer a si mesmo é essencial para qualquer empreendedor

23 de junho de 2017

Por Gabriela Gasparin

 

Ter o negócio próprio e ser seu próprio chefe é o sonho de muitas pessoas. Além disso, ser empreendedor “está na moda”. Muitos profissionais não aceitam ou não querem mais seguir as regras do mercado de trabalho tradicional.

A cobrança para ser autêntico é frequente nos dias de hoje, principalmente entre os jovens. Contudo, criar uma forma autêntica de ser na vida real, o que inclui um trabalho próprio e rentável, não é um processo fácil.

Paralelamente, o mercado de trabalho está mudando. Com o avanço tecnológico, serviços que antes eram indispensáveis passam a ser desnecessários ou são substituídos por aplicativos. Profissões estão sendo extintas e outras começam a ser criadas; além de serviços parecidos com a Uber, onde a tecnologia encurta os intermediários de um processo.

O resultado é uma leva de pessoas desempregadas, perdidas sobre o que fazer ou decepcionadas com o que se tornaram. E é aí que o empreendedorismo entra como alternativa.

Empreender fazendo o que se gosta parece ótimo no papel, mas na hora de colocar em prática começam os desafios. O primeiro deles é: o que fazer? É nessas horas que é preciso conhecer a si mesmo, fator essencial para qualquer aspirante a empreendedor.

O que o autoconhecimento tem a ver com empreendedorismo

O autoconhecimento é essencial para descobrir o que te atrai, quais são suas aptidões e limitações, para conhecer seus pontos fracos e fortes e, principalmente, aprender qual o seu verdadeiro valor. Conhecer o seu propósito de vida e entender qual é o seu verdadeiro potencial são passos decisivos na hora de criar seu próprio negócio e conseguir fazê-lo prosperar.

“O autoconhecimento te ajuda a descobrir exatamente tudo que faz teu olho brilhar, portanto aquilo que você vai encontrar paixão (…). Conhecendo bem o seu próprio perfil, você consegue ter clareza dos papéis que gostaria – e teria boas condições – de desempenhar, e daqueles que realmente não são a sua praia”, diz a organização Endeavor, em artigo publicado em seu site.

É necessário olhar para dentro para poder assumir os riscos de ser empreendedor. Quando você tiver a visão holística do seu negócio, ou seja, conhecer todos os âmbitos do seu papel como empreendedor, conhecendo os elementos, estratégias e atividades da sua futura empresa, você será capaz de cometer menos erros e aprender com eles.

Desafios aparecem para todos que empreendem

Mas não basta trabalhar com o que gosta, é preciso ter disciplina para fazer o negócio andar, saber tomar decisões, ter resiliência e flexibilidade perante os desafios, entre outras características – para tudo isso, conhecer-se é essencial.

Na Filosofia do Bonsai, entre as formas de praticar o autoconhecimento estão: meditação, prática de respirações, rituais, terapias, investigação da ancestralidade, busca por conhecimento teórico, entre outras. Aos poucos e com paciência, o equilíbrio proporcionado por tais práticas colabora para a descoberta do propósito e missão individual.

Alexandre Tagawa, que idealizou a filosofia inspirado na experiência com o bonsai, é empreendedor desde os 20 anos é já perdeu as contas de quantas vezes fracassou, chegando a ficar endividado, sem negócios e perdido porque não conhecia a si profundamente na hora de fazer sociedades e gerir as empresas.

Um dos fatores era a ansiedade, que o compelia a dizer sim às propostas e só depois analisar a situação, “antes eu dizia sim e depois analisava. Tive vários tipos de negócios porque gostava do novo, mas não tinha filtro, então saia dizendo sim”, exemplifica.

No caso dele, a insegurança também o atrapalhou muito até Tagawa perceber que precisava assumir sozinho as rédeas do próprio negócio. Aos poucos, ele entendeu a importância de conhecer suas crenças e valores e aplicá-los na vida profissional.

De acordo com a Endeavor, quando você se conhece, você entende melhor o caminho do seu raciocínio para tomar decisões, sente-se confortável para assumir riscos e liderar pessoas. O psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung aconselha que “quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, acorda. Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração.”

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.