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Mente

Filosofia, Mente

A importância de assumir a responsabilidade sobre nossas escolhas

29 de junho de 2017

A escolha do vaso do bonsai é de extrema importância para a vida da pequena árvore. O tamanho e modelo influenciam diretamente no desenvolvimento da planta e de sua raiz. Além disso, o bonsai precisa ser trocado de vaso de tempos em tempos, pois a raiz cresce e precisa de manutenção. Em analogia com as nossas vidas, a importância de usar o vaso certo para cada bonsai nos faz refletir: de que forma estamos escolhendo o “vaso” em que cultivamos nossa vida? Estamos preparados para assumir as responsabilidades sobre nossas escolhas?

Assumir responsabilidades sobre cada escolha

O bonsai precisa ser trocado de vaso periodicamente, conforme a raiz cresce. Se quisermos que a árvore continue do mesmo tamanho, é preciso tirá-la do vaso e fazer a manutenção e corte da raiz antes de colocá-la de volta. Isso porque a raiz vai crescendo e se “enrolando” para caber dentro do espaço disponível. Quando tal situação acontecer, outra opção é colocar o bonsai em um vaso maior para que ele tenha área suficiente para crescer mais.

Na Filosofia do Bonsai, Alexandre Tagawa se inspirou nesse cuidado com a troca do vaso para fazer uma analogia com a vida: “estamos preparado para tocar o vaso e as suas raízes crescerem? Temos que assumir as responsabilidades sobre as nossas escolhas”, avalia.

A sabedoria na hora da escolha do tamanho do vaso representa a nossa consciência na hora de tomar atitudes. “Ao trocar de vaso, a responsabilidade aumenta. A raiz vai começar a crescer, vai precisar de mais terra, de mais nutrientes, de equilíbrio”, explica Tagawa.

O empresário chegou a tal conclusão com base em suas experiências passadas. Muitas vezes ele se deixou seduzir por “vasos grandes e bonitos”, mas ao “trocar de vaso” percebeu que não estava preparado o suficiente para a mudança. Os aprendizados o fizeram chegar à seguinte conclusão: “sempre que eu tive pressa, dei um passo para trás”.

O que é ser responsável

No dicionário da língua portuguesa, o significado da palavra responsável é: “1. Que responde pelos próprios atos ou pelos de outrem; 2. Que é causa de algo”. Muitas vezes, ao tomarmos decisões sem refletir, não pensamos nas consequências do que está por vir e se conseguiremos responder por tais atos. Em um exemplo simples: se o chefe nos oferece uma promoção é preciso ter em mente que o salário aumenta, mas as cobranças também serão maiores.

Na Filosofia do Bonsai somos instigados a olhar para dentro e nos ouvirmos melhor diariamente, o que pode ser feito por meio de meditação, respirações, rituais, leituras, conversas, terapias ou momentos de introspecção – o que for mais acessível e tiver melhor receptividade para cada um. Contudo, a proposta é tornar tais ações rotineiras, e não apenas antes da tomada de uma decisão – afinal, estar conectado consigo mesmo leva tempo e não é algo que acontece de um dia para o outro.

Quanto melhor nos conhecermos, mais seguros estaremos na hora de tomar uma decisão, aceitar ou negar uma proposta. Além disso estaremos preparados para assumir responsabilidades de forma consciente, e não por impulso. O mais importante é saber que a escolha da troca do vaso deve acontecer de dentro para fora, e não por influências externas.

É como diz o psiquiatra Viktor Frankl, no livro Em busca de sentido: “O ser humano, em última análise, se determina a si mesmo. Aquilo que ele se torna – dentro dos limites dos seus dons e do meio ambiente – é ele que faz de si mesmo.”

 

Mente, Vida Profissional

Conhecer a si mesmo é essencial para qualquer empreendedor

23 de junho de 2017

Por Gabriela Gasparin

 

Ter o negócio próprio e ser seu próprio chefe é o sonho de muitas pessoas. Além disso, ser empreendedor “está na moda”. Muitos profissionais não aceitam ou não querem mais seguir as regras do mercado de trabalho tradicional.

A cobrança para ser autêntico é frequente nos dias de hoje, principalmente entre os jovens. Contudo, criar uma forma autêntica de ser na vida real, o que inclui um trabalho próprio e rentável, não é um processo fácil.

Paralelamente, o mercado de trabalho está mudando. Com o avanço tecnológico, serviços que antes eram indispensáveis passam a ser desnecessários ou são substituídos por aplicativos. Profissões estão sendo extintas e outras começam a ser criadas; além de serviços parecidos com a Uber, onde a tecnologia encurta os intermediários de um processo.

O resultado é uma leva de pessoas desempregadas, perdidas sobre o que fazer ou decepcionadas com o que se tornaram. E é aí que o empreendedorismo entra como alternativa.

Empreender fazendo o que se gosta parece ótimo no papel, mas na hora de colocar em prática começam os desafios. O primeiro deles é: o que fazer? É nessas horas que é preciso conhecer a si mesmo, fator essencial para qualquer aspirante a empreendedor.

O que o autoconhecimento tem a ver com empreendedorismo

O autoconhecimento é essencial para descobrir o que te atrai, quais são suas aptidões e limitações, para conhecer seus pontos fracos e fortes e, principalmente, aprender qual o seu verdadeiro valor. Conhecer o seu propósito de vida e entender qual é o seu verdadeiro potencial são passos decisivos na hora de criar seu próprio negócio e conseguir fazê-lo prosperar.

“O autoconhecimento te ajuda a descobrir exatamente tudo que faz teu olho brilhar, portanto aquilo que você vai encontrar paixão (…). Conhecendo bem o seu próprio perfil, você consegue ter clareza dos papéis que gostaria – e teria boas condições – de desempenhar, e daqueles que realmente não são a sua praia”, diz a organização Endeavor, em artigo publicado em seu site.

É necessário olhar para dentro para poder assumir os riscos de ser empreendedor. Quando você tiver a visão holística do seu negócio, ou seja, conhecer todos os âmbitos do seu papel como empreendedor, conhecendo os elementos, estratégias e atividades da sua futura empresa, você será capaz de cometer menos erros e aprender com eles.

Desafios aparecem para todos que empreendem

Mas não basta trabalhar com o que gosta, é preciso ter disciplina para fazer o negócio andar, saber tomar decisões, ter resiliência e flexibilidade perante os desafios, entre outras características – para tudo isso, conhecer-se é essencial.

Na Filosofia do Bonsai, entre as formas de praticar o autoconhecimento estão: meditação, prática de respirações, rituais, terapias, investigação da ancestralidade, busca por conhecimento teórico, entre outras. Aos poucos e com paciência, o equilíbrio proporcionado por tais práticas colabora para a descoberta do propósito e missão individual.

Alexandre Tagawa, que idealizou a filosofia inspirado na experiência com o bonsai, é empreendedor desde os 20 anos é já perdeu as contas de quantas vezes fracassou, chegando a ficar endividado, sem negócios e perdido porque não conhecia a si profundamente na hora de fazer sociedades e gerir as empresas.

Um dos fatores era a ansiedade, que o compelia a dizer sim às propostas e só depois analisar a situação, “antes eu dizia sim e depois analisava. Tive vários tipos de negócios porque gostava do novo, mas não tinha filtro, então saia dizendo sim”, exemplifica.

No caso dele, a insegurança também o atrapalhou muito até Tagawa perceber que precisava assumir sozinho as rédeas do próprio negócio. Aos poucos, ele entendeu a importância de conhecer suas crenças e valores e aplicá-los na vida profissional.

De acordo com a Endeavor, quando você se conhece, você entende melhor o caminho do seu raciocínio para tomar decisões, sente-se confortável para assumir riscos e liderar pessoas. O psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung aconselha que “quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, acorda. Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração.”

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Autodesenvolvimento, Mente

Cuidar do corpo, mente e alma reflete em uma vida próspera

21 de junho de 2017

Quando vemos um bonsai com uma copa bonita, modelada e folhagem robusta, logo concluímos que a pequena árvore está sendo muito bem cuidada, não é verdade? Ficamos ainda mais surpresos quando há flores ou frutinhas, o que varia de acordo com a espécie e época do ano. Em uma analogia com as nossas vidas, na Filosofia do Bonsai a copa representa nossa missão e prosperidade; é o reflexo do cuidado que temos com nosso corpo, mente e alma.

 

O significado da copa na Filosofia do Bonsai

A copa de um bonsai revela a saúde e robustez da árvore. Mas não apenas isso: a folhagem é responsável pela absorção da luz do sol, processo indispensável para a fotossíntese e, consequentemente, para a manutenção da sua vida.

Na Filosofia do Bonsai, a copa representa o resultado de tudo o que foi e está sendo plantado e trabalhado em nossa existência. Isso ocorre em harmonia com os outros dois pilares da filosofia, que são a raiz e o tronco .

Assim como o bonsai precisa ter raízes profundas para absorver a energia do sol, água do solo e fazer o processo de fotossíntese, nós também precisamos estar preparados para atuar no mundo de acordo com nossas próprias crenças e valores, vivendo com equilíbrio e adquirindo a prosperidade com relação ao que buscamos – processo que deve ocorrer de dentro para fora, e não ao contrário.

“Muitas vezes, as pessoas relacionam a prosperidade ao sucesso, a ter todo o dinheiro do mundo. Mas a prosperidade na Filosofia do Bonsai não está atrelada a isso. Ter muito dinheiro também pode gerar uma crise de transformação se a pessoa não souber lidar com a situação”, avalia o empresário e publicitário Alexandre Tagawa, idealizador da filosofia.

 

Fases de renovação

Mas a copa do bonsai não precisa estar sempre cheia de folhas, flores ou frutos – assim como na vida não estamos sempre belos, saudáveis e certos do que queremos. Em um ciclo contínuo de renovação, muitas espécies das pequenas árvores perdem as folhas perto do inverno. Esse processo simboliza a possibilidade de renovação a cada fase da vida.

Assim como a copa do bonsai se renova periodicamente, na vida temos de estar cientes que períodos de transição e renovação são essenciais para nossa evolução.

“Então o conceito do bonsai é atingir a plenitude em diversas maneiras de existência, que pode estar acontecendo sem folhas”, avalia Tagawa. Em momentos de dificuldade e transição é necessário estarmos preparados mental e fisicamente. Com isso, conseguimos ter o foco necessário para avaliarmos possibilidades de novos caminhos.

“Se em algum momento você fica sem trabalho, essa situação pode ser aceita com plenitude, porque é uma preparação para o novo. É um momento em que você pode se resgatar, voltar para a sua raiz e tronco e refletir: o que está faltando aqui? Assim, quando a árvore florescer novamente, você estará mais forte”, sugere.

 

Meditação, Mente

Como começar a meditar, limpar os pensamentos e ter foco nas atividades do dia

19 de junho de 2017

Por Gabriela Gasparin

“A alma não quer ir para a frente. Quem quer ir para a frente é porque ainda não encontrou. Está ainda à procura”. A frase do escritor brasileiro Rubem Alves traduz o sentimento que atinge muitos de nós nos dias atuais: a ansiedade. Ficamos ansiosos porque não nos atentamos ao momento presente. Passamos a maior parte do tempo pensando no futuro. A meditação é uma prática que nos ajuda encontrar isso que, segundo Rubem Alves, “procuramos”. Ela nos traz para o aqui e agora, limpa os pensamentos e nos ajuda a ter foco. Mas como começar a meditar?

 

Meditação: o ato de limpar os pensamentos

Talvez o primeiro passo seja entender o que é meditação. De uma forma simples, meditar nada mais é do que o ato de ficar em silêncio, focado no presente, atento à respiração, aos sentimentos e sensações.

Há uma equivocada ideia disseminada popularmente de que meditar é “não pensar em nada”. Porém, tal definição é incorreta. É impossível não pensar em nada. O que é feito durante a meditação é observar os pensamentos chegando e indo embora, sem se fixar neles. Uma dica da monja zen budista brasileira conhecida como Monja Coen é: “não pense o pensamento”.

A posição mais comum é ficar sentado sobre uma almofada no chão, com as pernas cruzadas e a coluna ereta. Praticantes assíduos sentam-se com a perna em posição de “lótus” ou “meia lótus”. Mas quem não conseguir ou se sentir desconfortável pode se sentar em uma cadeira ou banquinho – sempre com a coluna reta.

A prática independe de religião ou tradição espiritual – apesar de às vezes pensarmos que possa estar ligada à crenças orientais. “Meditar serve para todo mundo. Não tem nada a ver com Oriente e Ocidente (…). É uma capacidade da mente humana que foi pouco desenvolvida e agora a gente está redescobrindo”, afirma a Monja Coen em vídeo em sua página. De acordo com ela, ao meditar limpamos os nossos excessos. “É tirar o extra e ver a essência do seu ser.”

 

Que tipo de meditação seguir?

Existem várias formas de praticar a meditação, desde as tradicionais voltadas ao budismo (zen ou tibetano), yoga ou hinduísmo, até as mais contemporâneas, como o Mindfulness. Recomenda-se fechar os olhos (ou deixá-los entreabertos), ouvir uma música relaxante ao fundo e prestar atenção na inspiração e expiração. Há a possibilidade de fazer uma meditação guiada – com a voz de um mediador ao fundo, que pode ser encontrada na internet – ou simplesmente ficar em silêncio.

Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, pratica a meditação do budismo tibetano – que foi com a qual ele teve contato na fase adulta. Quando criança, contudo, cresceu vendo sua avó praticar rituais do budismo japonês, o que também incluía a meditação. Segundo ele, a prática diária o ajuda a eliminar todos os pensamentos desnecessários, restando apenas os que são importantes para o dia. “É como se eu estivesse nascendo e morrendo a cada respiração. Inspira: nasci. Expira: morri. E sobra só o que é mais importante, o que preciso focar no meu dia.”

Em sua meditação ele ainda mentaliza uma luz branca ou azul cintilantes vindas de cima e atingindo o topo de sua cabeça, de forma a protegê-lo e fortalecer suas energias para o restante do dia.

 

Tempo de prática

É recomendável meditar por aproximadamente 20 minutos ao dia, o suficiente para acalmar a mente, reduzir a ansiedade e nos ajudar a nos conectarmos com nós mesmos. Com o passar do tempo, começamos a observar os nossos pensamentos “de fora”, eliminando o que não é importante.

Meditar pode ser um pouco desconfortável no começo e a prática exige disciplina. Contudo, vale a pena insistir e vencer os desconfortos iniciais. Uma hora os benefícios chegam e, fazendo referência à frase de Rubem Alves que abre este texto, conseguimos encontrar o que tanto procuramos dentro de nós mesmo.

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Autodesenvolvimento, Mente

Ações para o autodesenvolvimento: conhecer a si mesmo é essencial

6 de junho de 2017

Por Gabriela Gasparin

“Deus dá a todos uma estrela. Uns fazem da estrela um sol. Outros nem conseguem vê-la”. A frase, da poetisa brasileira Helena Kolody, nos inspira a pensar: como fazer nossa estrela brilhar diariamente? Um caminho é o autodesenvolvimento, que nada mais é do que a jornada individual de trabalhar as próprias fraquezas e aprimorar as habilidades, tornando-nos pessoas melhores a cada dia. Autodesenvolver-se é evoluir como ser humano.

Ações para o autodesenvolvimento na Filosofia do Bonsai

A jornada de desenvolvimento próprio não é fácil, mas o resultado é compensador. Se pararmos para pensar no significado do verbo “desenvolver”, veremos que ele basicamente passa a ideia de uma mudança de estágio para outro, sendo que o primeiro precisa de aprimoramento e o segundo reflete a melhora. Entre as explicações da palavra no dicionário estão: fazer crescer; prosperar; aumentar; progredir.

Se vamos melhorar a nós mesmos, precisamos ter bem claro o que em nós precisa de mudança, não é mesmo? Dessa forma, o primeiro passo para o autodesenvolvimento é conhecer a si mesmo, o que inclui identificar características positivas e negativas e saber como cada uma delas influencia na sua vida, tanto pessoal como profissional. Apenas conhecendo a nós mesmos com profundidade conseguiremos atuar efetivamente para a evolução. Como melhorar o que não conhecemos?

Na Filosofia do Bonsai, essa etapa de autoconhecimento está dentro do pilar “raiz”. Por meio dele somos instigados a compreender a fundo nossa família, antepassados, crenças e valores. Feito isso, a atuação ocorre por meio do pilar “tronco”, tomando atitudes e ações diárias para aprimorar habilidades e melhorar pontos limitantes – isso pode ser feito com estudos, conversas, cursos, terapias, meditação, atividades físicas e relacionamento humano. Ao final, teremos base e estrutura preparadas para identificar nossa missão com clareza e viver com propósito: pilar que na filosofia é representado pela copa.

Não há atalho para fazer a estrela brilhar

Obviamente as etapas descritas acima são apenas sugestões para a prática do autodesenvolvimento. Cada ser humano deve encontrar dentro de si o melhor caminho para evolução pessoal e alcançar os objetivos mais sinceros. Uma coisa, contudo, é certa: não há atalho nem desvio para fazer a estrela brilhar todos os dias. O cuidado de si é essencial e as etapas estarão lá: conhecer a si próprio, atuar sobre si e alcançar objetivos.

Uma das formas de conhecer a própria história é contá-la, o que pode ser feito por meio de terapia, conversas, depoimentos e até mesmo pela escrita da jornada pessoal em um diário ou, por que não, de livro autobiográfico, como está fazendo Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai.

Uma dica mais simples e fácil, aliás, é reunir amigos com o intuito de cada um contar sobre si ao outro – uma tarefa relativamente simples que pode nos ajudar a ouvir a nós mesmos e, consequentemente, nos conhecermos melhor. Dessa forma podemos achar pistas do que precisa ser resolvido em nós mesmos para praticarmos o autodesenvolvimento em diversos campos e, assim, dar mais brilho à nossa estrela.

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Autodesenvolvimento, Mente

Cuidar do corpo e da mente é essencial para alcançar objetivos e metas

2 de junho de 2017

Ter uma vida com equilíbrio, harmonia e prosperidade é o que norteia a Filosofia do Bonsai. Atitudes diárias nos ajudam a alcançar tais conquistas, como cuidar do corpo e da mente e buscar conhecimento e desenvolvimento pessoal. No bonsai, o pilar que representa essas medidas é o tronco, canal que une a raiz à copa. Por ele passam os nutrientes que mantém a árvore bela e forte. No ser humano, isso nos inspira a pensar: que meta devemos estabelecer para conseguir deixar nosso tronco erguido, refletindo em uma vida próspera?

O que representa o tronco na Filosofia do Bonsai

Na Filosofia do Bonsai o tronco é a conexão entre a base da existência, ou seja, nossas raízes, até a copa, nossa prosperidade e missão. Assim como na árvore, o caule é responsável por levar a seiva até a folhagem, mantendo a planta nutrida: cuidados com o corpo e a mente nos fazem ter uma vida saudável.

Cuidar do nosso “tronco” significa fazer um trabalho diário e consciente para alcançar o que buscamos e realizar nossos objetivos. Para isso, o primeiro passo é conhecer bem nossa raiz, ou seja, nossa base e essência – entenda o que significa a raiz na filosofia e como trabalhá-la.

Basicamente, para trabalhar o tronco devemos buscar conhecimentos, desenvolvimento pessoal e usar nossas habilidades ao nosso favor. Também entram cuidados com o corpo, como atividades físicas regulares e uma alimentação saudável e equilibrada. Trabalhar a mente também é fundamental, como buscar leituras, cursos e relacionamentos saudáveis, além de práticas de meditação e respiração.

Alexandre Tagawa, o idealizador da Filosofia do Bonsai, passou pela trabalhosa etapa de conhecer a si mesmo e entender suas raízes para depois perceber que precisava de preparo físico e emocional para lidar com os conflitos internos e atingir o equilíbrio que buscava na vida. “Sem conhecimento, como você vai conseguir transformar a sua copa em prosperidade? Eu conheci tudo o que está lá embaixo, na raiz, e isso me trouxe várias reflexões e questionamentos e percebi que precisava buscar conhecimento pessoal”, afirmou.

O que é desenvolvimento pessoal

O desenvolvimento pessoal nada mais é do que trabalhar nosso potencial humano. São ações tomadas no dia a dia para identificar barreiras, vencê-las e evoluir. Por exemplo, se temos dificuldades em expor nossas opiniões e isso nos impede de crescer, precisamos entender de onde vem tal empecilho e o que podemos fazer para desenvolver tal habilidade.

Isso inclui estar com a mente e o corpo saudáveis. Nosso corpo é nosso principal veículo de atuação. A saúde física e mental é importante para desenvolver nosso potencial no dia a dia, caso contrário, dores e desconfortos serão limitantes tanto no trabalho como nas tarefas domésticas e relacionamento pessoais. Esse cuidado é feito por meio de: alongamentos, atividades físicas em geral, meditação, técnicas de respiração, alimentação, exames médicos, entre outros.

Ter paciência e disciplina é fundamental

É claro que todo esse caminho não acontece de um dia para o outro. A paciência e a disciplina regem a Filosofia do Bonsai. O importante é pensar em pequenas atitudes diárias que podem, aos poucos, nos levar a uma vida melhor. “Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua. Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem”, diz Alberto Caeiro.

Para começar, uma dica é buscar leituras e até mesmo conversar com pessoas sobre questões que incomodam. Paralelamente, reflita sobre como está seu corpo e sua alimentação. Há algo que pode ser feito hoje para mudar o que está incomodando? Dar o primeiro passo é essencial. “Não dá pra abrir mão do tronco, ele é sua conexão entre o céu e a terra”, sugere Tagawa.

Alma, Filosofia, Mente, Propósito

Pratique rituais diários e fique mais perto dos seus objetivos

18 de maio de 2017

Pessoas que cuidam de bonsais sabem que eles precisam de um cuidado diário para crescerem fortes e robustos. É preciso regá-los todos os dias e certificar-se que estão expostos à luz e ao sol — caso contrário, a miniárvore não crescerá saudável e pode ter a vida comprometida. Assim como com o bonsai, rituais diários nos ajudam a organizar nossas atividades do dia e a manter o foco nos objetivos de curto e longo prazo. Entenda como praticar um ritual diário pode te ajudar a ter um dia melhor.

Como praticar um ritual diário

Um ritual nada mais é do que a prática de um rito, um ato simbólico e intencional que ocorre com determinada frequência.

O rito representa as regras e cerimônias próprias de uma determinada prática ou religião. É um ato repetitivo, simbólico, que traduz uma crença, um agradecimento, saudação, intenção ou desejo, entre outras finalidades. Pode também ser uma festa, um momento de luto ou algo que se estabelece no calendário.

Dessa forma, o ritual é onde e como os ritos acontecem. Por exemplo: um cerimonial, uma etiqueta, uma liturgia, um culto ou até mesmo um ritual de passagem — como o casamento, batismo cristão ou o Bar Mitzvah no judaísmo.

Os rituais são importantes para marcar uma transformação ou dar um sentido a determinada ação. Segundo o antropólogo e historiador Roberto DaMatta, rituais são situações que abrem parênteses e promovem consciência e reconhecimento — ele estuda rituais e deu declaração em palestra da Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial.

A prática do ritual diário na Filosofia do Bonsai

Na Filosofia do Bonsai, a realização do ritual diário feito com intenção nos ajuda a manter o foco no nosso propósito. Alexandre Tagawa, o idealizador da filosofia, descobriu por experiência própria os benefícios de praticar um ritual diário. Todos os dias antes de sair de casa e começar seu trabalho, ele para alguns minutos em frente ao seu altar e faz seu ritual.

“É muito simples: eu reverencio meus antepassados, faço minha conexão com Deus, organizo meu pensamento e sentimento para o dia. Isso faz com o que o dia flua com mais naturalidade e você consiga organizar melhor as suas atividades.”

Não há uma regra dentro da Filosofia do Bonsai para a prática do ritual diário. O importante é que seja feito todos os dias e com uma intenção, que pode ser ter foco no trabalho, ter um dia calmo ou conseguir cumprir determinada meta. O ritual pode ser feito acompanhado de uma meditação, uma oração ou um mantra pessoal, independente de crença ou religião. É recomendado, ainda, que o ritual seja feito diante de um altar (descubra aqui como montar o seu).

Para que o ritual nos ajude a alcançar objetivos de curto e longo prazo, é recomendado saber e definir de forma prática quais são essas metas e mentalizá-las por etapas no ritual diário, fazendo sempre o que for possível no dia a dia para cumpri-las — a mentalização por si só vai ajudar a trazer clareza para cumprir essa intenção.

Por exemplo: se o seu desejo é perder peso até o final do ano, diariamente no seu ritual você deve colocar a intenção de alimentar-se de forma saudável (ou conforme a dieta pré-estabelecida) naquele dia. Com esse foco e disciplina, ao final de um período, o efeito aparecerá.

Alma, Espiritualidade, Filosofia, Mente

Monte seu altar independentemente de religião

18 de maio de 2017

Ter um altar em casa é muito importante para a prática de rituais diários, propiciando ricos momentos de conexão interior — seja qual for sua crença, religião ou forma de enxergar a vida. Qualquer pessoa pode montar seu altar personalizado e garantir um ambiente favorável para a prática de uma filosofia ou espiritualidade. Veja dicas de como montar um altar repleto de energias e significado.

Como montar um altar e garantir seu “cantinho” de conexão interior

Um altar é um espaço reservado para facilitar a conexão interior, com Deus e com o Universo. Independentemente de religião, ele sempre deverá conter itens que remetam à alguma simbologia ou significado importante para você.

É possível montá-lo da forma que achar melhor. Escolha um cantinho especial e calmo dentro da sua casa: pode ser no quarto, na sala ou na varanda, por exemplo. Em uma mesa ou prateleira, junte objetos e símbolos que de alguma forma conectem com sua espiritualidade ou crença: pode ser um livro de ensinamentos, imagens de santos ou deuses, velas, flores e incensos.

Tudo tem um significado e nada será colocado no altar à toa. Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, coloca no dele itens que o remetem às raízes familiares e energias positivas.

Entre eles está o incenso, objeto relacionado à reverência aos antepassados e à impermanência da vida — além, é claro, do perfume que exala. Há também pedras de quartzo: uma branca ou transparente, que significa força de cura e equilibra os elementos do corpo; e uma rosa, que significa bondade, felicidade e amor.

Tagawa colocou, ainda, um gongo, que significa a cura terapêutica através da ressonância. Em cima do altar, na parede, fixou um quadro com uma espada de Samurai — um presente que ganhou da esposa. “Eu tenho certeza que algum dos meus antepassados foi um Samurai.”

Homenagem à avó budista

No centro do altar de Tagawa tem a imagem de um Buda. “É uma reverência e homenagem que faço à minha avó, Dona Rosa. Eu lembro desde pequeno de ela todos os dias praticando o ritual no seu altar”, explica. Segundo ele, o significado do Buda é “iluminar”.

Tagawa aprendeu a importância de ter o próprio altar com a avó budista. Todas as manhãs, a sábia senhora dedicava um tempo diante do pequeno altar em seu quarto para entoar seu mantra, reverenciar Buda e mentalizar o nome de todos os familiares. Depois disso, ela ainda se alongava para começar o dia em equilíbrio.

Ao chegar na fase adulta e após enfrentar muitos obstáculos, Tagawa recordou da prática diária de sua avó e aos poucos construiu o próprio altar.

Significado da palavra altar

A palavra “altar” geralmente nos remete a imagens de igrejas ou templos religiosos, já que a mesa dedicada ao divino está presente em praticamente todos eles. No dicionário Aurélio, por exemplo, a palavra altar significa: “1. Mesa consagrada aos sacrifícios religiosos; 2. Mesa ou balcão de pedra destinada a sacrifício, nas religiões pagãs”.

Isso porque, em tradições religiosas, o altar é (ou era no passado) usado para esses sacrifícios e oferendas. Podemos aproveitar a origem dessa palavra, ressignificando-a para os dias atuais. A avó de Tagawa, por exemplo, tinha o costume de ofertar frutas no altar dela. Nesse mesmo contexto, é possível acender velas e flores.

“De início são objetos inanimados, mas a partir do momento que você leva a sua energia, faz a prática e cria um hábito da sua conexão com plano maior e o Universo, a energia que esse altar traz para você é algo muito importante e faz muito bem pra mim”, revela Tagawa.

Alma, Autodesenvolvimento, Filosofia, Mente, Propósito

Ao escrever o livro Filosofia do Bonsai, Alexandre Tagawa redefine seus propósitos

18 de maio de 2017

Por Gabriela Gasparin

“É por meio de nossas próprias narrativas que construímos principalmente uma versão de nós mesmos no mundo”. A frase, do psicólogo americano Jerome Bruner, ressalta o quanto conhecer a própria história nos faz entender quem somos. Ao escrever uma autobiografia, revivemos por meio da memória cada etapa da vida, ressignificando-as. Ao estruturar o passado, encontramos a clareza que precisamos para construir no presente o futuro que queremos ter. É como se estivéssemos passando a vida a limpo.

É justamente essa percepção que Alexandre Tagawa tem ao escrever a história da própria vida e de como surgiu a Filosofia do Bonsai. “Escrever o livro está me ajudando a entender a minha história. É como uma terapia, porque faz você refletir sobre todas as etapas que passou na vida.”

A escrita da autobiografia o ajuda a estruturar o entendimento sobre quem é e qual é sua missão no mundo. “É claro que todos nós passamos por adversidades e entendemos o que fez ou não sentido. Estou conseguindo entender onde estão os pontos que posso melhorar, onde que aquilo pode fazer a diferença. Muitas vezes nem nós mesmos entendemos a nossa história. O processo da escrita e das entrevistas está me facilitando a ter um pensamento mais profundo.”

Realização de um sonho

O sonho de Tagawa de escrever um livro sobre sua trajetória e a Filosofia do Bonsai é antigo, mas foi em 2017 que ele resolveu, literalmente, colocá-lo no papel.

Foram as dificuldades que viveu desde a infância que o levaram a buscar práticas para manter a calma e o equilíbrio em momentos difíceis. As práticas diárias de meditação, respiração, atividade física e cuidados com a alimentação o ajudam a viver melhor, com foco na sua missão. A intenção com o livro é compartilhar esse aprendizado com os leitores. Assim como a filosofia faz bem para ele, pode ajudar outras pessoas.

O processo pelo qual Tagawa está passando, de compreender a própria história por meio da escrita, faz parte de um processo já conhecido por estudiosos. O psicólogo Bruner, citado no começo deste texto, sugere que representamos a vida, para nós e para os outros, na forma de narrativas. Ao nos identificarmos com essa história é que construímos nossa identidade e achamos nosso lugar no mundo.

O sociólogo Antonio Candido, em seu livro Vários Escritos, explica que “quer percebamos claramente ou não, o caráter de coisa organizada da obra literária torna-se um fator que nos deixa mais capazes de ordenar a nossa própria mente e sofrimentos; e, em consequência, mais capazes de organizar a visão que temos do mundo”.

É por isso que, para Tagawa, contar a própria história o ajuda a manter o compromisso com a prática da Filosofia do Bonsai, que é um ponto para dar um norte ao seu equilíbrio, com uma vida sem excesso.

“Quando eu vou contando a minha história e vendo os processos que fui passando durante minha infância, adolescência e fase adulta, eu começo a entender que hoje, se eu não tivesse a Filosofia do Bonsai, seria mais difícil o processo de aceitação das coisas que eu passei pela minha vida, e principalmente o entendimento de como posso manter a vida com mais equilíbrio.”

Tagawa faz uma analogia de conhecermos nossas histórias com o próprio bonsai, que tem uma raiz profunda, que é onde está a nossa família e nossos antepassados. É onde a gente nos nutre de vitaminas para que nosso tronco fique erguido e nossa copa se transforme em prosperidade. “É uma natureza moldada por nossas mãos, assim como a nossa vida. Cada ser humano é único, assim como cada bonsai”, explica.

Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.