Browsing Tag

equilíbrio

Meditação, Mente

Como começar a meditar, limpar os pensamentos e ter foco nas atividades do dia

19 de junho de 2017

Por Gabriela Gasparin

“A alma não quer ir para a frente. Quem quer ir para a frente é porque ainda não encontrou. Está ainda à procura”. A frase do escritor brasileiro Rubem Alves traduz o sentimento que atinge muitos de nós nos dias atuais: a ansiedade. Ficamos ansiosos porque não nos atentamos ao momento presente. Passamos a maior parte do tempo pensando no futuro. A meditação é uma prática que nos ajuda encontrar isso que, segundo Rubem Alves, “procuramos”. Ela nos traz para o aqui e agora, limpa os pensamentos e nos ajuda a ter foco. Mas como começar a meditar?

 

Meditação: o ato de limpar os pensamentos

Talvez o primeiro passo seja entender o que é meditação. De uma forma simples, meditar nada mais é do que o ato de ficar em silêncio, focado no presente, atento à respiração, aos sentimentos e sensações.

Há uma equivocada ideia disseminada popularmente de que meditar é “não pensar em nada”. Porém, tal definição é incorreta. É impossível não pensar em nada. O que é feito durante a meditação é observar os pensamentos chegando e indo embora, sem se fixar neles. Uma dica da monja zen budista brasileira conhecida como Monja Coen é: “não pense o pensamento”.

A posição mais comum é ficar sentado sobre uma almofada no chão, com as pernas cruzadas e a coluna ereta. Praticantes assíduos sentam-se com a perna em posição de “lótus” ou “meia lótus”. Mas quem não conseguir ou se sentir desconfortável pode se sentar em uma cadeira ou banquinho – sempre com a coluna reta.

A prática independe de religião ou tradição espiritual – apesar de às vezes pensarmos que possa estar ligada à crenças orientais. “Meditar serve para todo mundo. Não tem nada a ver com Oriente e Ocidente (…). É uma capacidade da mente humana que foi pouco desenvolvida e agora a gente está redescobrindo”, afirma a Monja Coen em vídeo em sua página. De acordo com ela, ao meditar limpamos os nossos excessos. “É tirar o extra e ver a essência do seu ser.”

 

Que tipo de meditação seguir?

Existem várias formas de praticar a meditação, desde as tradicionais voltadas ao budismo (zen ou tibetano), yoga ou hinduísmo, até as mais contemporâneas, como o Mindfulness. Recomenda-se fechar os olhos (ou deixá-los entreabertos), ouvir uma música relaxante ao fundo e prestar atenção na inspiração e expiração. Há a possibilidade de fazer uma meditação guiada – com a voz de um mediador ao fundo, que pode ser encontrada na internet – ou simplesmente ficar em silêncio.

Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai, pratica a meditação do budismo tibetano – que foi com a qual ele teve contato na fase adulta. Quando criança, contudo, cresceu vendo sua avó praticar rituais do budismo japonês, o que também incluía a meditação. Segundo ele, a prática diária o ajuda a eliminar todos os pensamentos desnecessários, restando apenas os que são importantes para o dia. “É como se eu estivesse nascendo e morrendo a cada respiração. Inspira: nasci. Expira: morri. E sobra só o que é mais importante, o que preciso focar no meu dia.”

Em sua meditação ele ainda mentaliza uma luz branca ou azul cintilantes vindas de cima e atingindo o topo de sua cabeça, de forma a protegê-lo e fortalecer suas energias para o restante do dia.

 

Tempo de prática

É recomendável meditar por aproximadamente 20 minutos ao dia, o suficiente para acalmar a mente, reduzir a ansiedade e nos ajudar a nos conectarmos com nós mesmos. Com o passar do tempo, começamos a observar os nossos pensamentos “de fora”, eliminando o que não é importante.

Meditar pode ser um pouco desconfortável no começo e a prática exige disciplina. Contudo, vale a pena insistir e vencer os desconfortos iniciais. Uma hora os benefícios chegam e, fazendo referência à frase de Rubem Alves que abre este texto, conseguimos encontrar o que tanto procuramos dentro de nós mesmo.

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Autodesenvolvimento, Mente

Ações para o autodesenvolvimento: conhecer a si mesmo é essencial

6 de junho de 2017

Por Gabriela Gasparin

“Deus dá a todos uma estrela. Uns fazem da estrela um sol. Outros nem conseguem vê-la”. A frase, da poetisa brasileira Helena Kolody, nos inspira a pensar: como fazer nossa estrela brilhar diariamente? Um caminho é o autodesenvolvimento, que nada mais é do que a jornada individual de trabalhar as próprias fraquezas e aprimorar as habilidades, tornando-nos pessoas melhores a cada dia. Autodesenvolver-se é evoluir como ser humano.

Ações para o autodesenvolvimento na Filosofia do Bonsai

A jornada de desenvolvimento próprio não é fácil, mas o resultado é compensador. Se pararmos para pensar no significado do verbo “desenvolver”, veremos que ele basicamente passa a ideia de uma mudança de estágio para outro, sendo que o primeiro precisa de aprimoramento e o segundo reflete a melhora. Entre as explicações da palavra no dicionário estão: fazer crescer; prosperar; aumentar; progredir.

Se vamos melhorar a nós mesmos, precisamos ter bem claro o que em nós precisa de mudança, não é mesmo? Dessa forma, o primeiro passo para o autodesenvolvimento é conhecer a si mesmo, o que inclui identificar características positivas e negativas e saber como cada uma delas influencia na sua vida, tanto pessoal como profissional. Apenas conhecendo a nós mesmos com profundidade conseguiremos atuar efetivamente para a evolução. Como melhorar o que não conhecemos?

Na Filosofia do Bonsai, essa etapa de autoconhecimento está dentro do pilar “raiz”. Por meio dele somos instigados a compreender a fundo nossa família, antepassados, crenças e valores. Feito isso, a atuação ocorre por meio do pilar “tronco”, tomando atitudes e ações diárias para aprimorar habilidades e melhorar pontos limitantes – isso pode ser feito com estudos, conversas, cursos, terapias, meditação, atividades físicas e relacionamento humano. Ao final, teremos base e estrutura preparadas para identificar nossa missão com clareza e viver com propósito: pilar que na filosofia é representado pela copa.

Não há atalho para fazer a estrela brilhar

Obviamente as etapas descritas acima são apenas sugestões para a prática do autodesenvolvimento. Cada ser humano deve encontrar dentro de si o melhor caminho para evolução pessoal e alcançar os objetivos mais sinceros. Uma coisa, contudo, é certa: não há atalho nem desvio para fazer a estrela brilhar todos os dias. O cuidado de si é essencial e as etapas estarão lá: conhecer a si próprio, atuar sobre si e alcançar objetivos.

Uma das formas de conhecer a própria história é contá-la, o que pode ser feito por meio de terapia, conversas, depoimentos e até mesmo pela escrita da jornada pessoal em um diário ou, por que não, de livro autobiográfico, como está fazendo Alexandre Tagawa, idealizador da Filosofia do Bonsai.

Uma dica mais simples e fácil, aliás, é reunir amigos com o intuito de cada um contar sobre si ao outro – uma tarefa relativamente simples que pode nos ajudar a ouvir a nós mesmos e, consequentemente, nos conhecermos melhor. Dessa forma podemos achar pistas do que precisa ser resolvido em nós mesmos para praticarmos o autodesenvolvimento em diversos campos e, assim, dar mais brilho à nossa estrela.

* Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.

Autodesenvolvimento, Mente

Cuidar do corpo e da mente é essencial para alcançar objetivos e metas

2 de junho de 2017

Ter uma vida com equilíbrio, harmonia e prosperidade é o que norteia a Filosofia do Bonsai. Atitudes diárias nos ajudam a alcançar tais conquistas, como cuidar do corpo e da mente e buscar conhecimento e desenvolvimento pessoal. No bonsai, o pilar que representa essas medidas é o tronco, canal que une a raiz à copa. Por ele passam os nutrientes que mantém a árvore bela e forte. No ser humano, isso nos inspira a pensar: que meta devemos estabelecer para conseguir deixar nosso tronco erguido, refletindo em uma vida próspera?

O que representa o tronco na Filosofia do Bonsai

Na Filosofia do Bonsai o tronco é a conexão entre a base da existência, ou seja, nossas raízes, até a copa, nossa prosperidade e missão. Assim como na árvore, o caule é responsável por levar a seiva até a folhagem, mantendo a planta nutrida: cuidados com o corpo e a mente nos fazem ter uma vida saudável.

Cuidar do nosso “tronco” significa fazer um trabalho diário e consciente para alcançar o que buscamos e realizar nossos objetivos. Para isso, o primeiro passo é conhecer bem nossa raiz, ou seja, nossa base e essência – entenda o que significa a raiz na filosofia e como trabalhá-la.

Basicamente, para trabalhar o tronco devemos buscar conhecimentos, desenvolvimento pessoal e usar nossas habilidades ao nosso favor. Também entram cuidados com o corpo, como atividades físicas regulares e uma alimentação saudável e equilibrada. Trabalhar a mente também é fundamental, como buscar leituras, cursos e relacionamentos saudáveis, além de práticas de meditação e respiração.

Alexandre Tagawa, o idealizador da Filosofia do Bonsai, passou pela trabalhosa etapa de conhecer a si mesmo e entender suas raízes para depois perceber que precisava de preparo físico e emocional para lidar com os conflitos internos e atingir o equilíbrio que buscava na vida. “Sem conhecimento, como você vai conseguir transformar a sua copa em prosperidade? Eu conheci tudo o que está lá embaixo, na raiz, e isso me trouxe várias reflexões e questionamentos e percebi que precisava buscar conhecimento pessoal”, afirmou.

O que é desenvolvimento pessoal

O desenvolvimento pessoal nada mais é do que trabalhar nosso potencial humano. São ações tomadas no dia a dia para identificar barreiras, vencê-las e evoluir. Por exemplo, se temos dificuldades em expor nossas opiniões e isso nos impede de crescer, precisamos entender de onde vem tal empecilho e o que podemos fazer para desenvolver tal habilidade.

Isso inclui estar com a mente e o corpo saudáveis. Nosso corpo é nosso principal veículo de atuação. A saúde física e mental é importante para desenvolver nosso potencial no dia a dia, caso contrário, dores e desconfortos serão limitantes tanto no trabalho como nas tarefas domésticas e relacionamento pessoais. Esse cuidado é feito por meio de: alongamentos, atividades físicas em geral, meditação, técnicas de respiração, alimentação, exames médicos, entre outros.

Ter paciência e disciplina é fundamental

É claro que todo esse caminho não acontece de um dia para o outro. A paciência e a disciplina regem a Filosofia do Bonsai. O importante é pensar em pequenas atitudes diárias que podem, aos poucos, nos levar a uma vida melhor. “Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua. Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem”, diz Alberto Caeiro.

Para começar, uma dica é buscar leituras e até mesmo conversar com pessoas sobre questões que incomodam. Paralelamente, reflita sobre como está seu corpo e sua alimentação. Há algo que pode ser feito hoje para mudar o que está incomodando? Dar o primeiro passo é essencial. “Não dá pra abrir mão do tronco, ele é sua conexão entre o céu e a terra”, sugere Tagawa.

Alma, Autodesenvolvimento, Filosofia, Mente, Propósito

Ao escrever o livro Filosofia do Bonsai, Alexandre Tagawa redefine seus propósitos

18 de maio de 2017

Por Gabriela Gasparin

“É por meio de nossas próprias narrativas que construímos principalmente uma versão de nós mesmos no mundo”. A frase, do psicólogo americano Jerome Bruner, ressalta o quanto conhecer a própria história nos faz entender quem somos. Ao escrever uma autobiografia, revivemos por meio da memória cada etapa da vida, ressignificando-as. Ao estruturar o passado, encontramos a clareza que precisamos para construir no presente o futuro que queremos ter. É como se estivéssemos passando a vida a limpo.

É justamente essa percepção que Alexandre Tagawa tem ao escrever a história da própria vida e de como surgiu a Filosofia do Bonsai. “Escrever o livro está me ajudando a entender a minha história. É como uma terapia, porque faz você refletir sobre todas as etapas que passou na vida.”

A escrita da autobiografia o ajuda a estruturar o entendimento sobre quem é e qual é sua missão no mundo. “É claro que todos nós passamos por adversidades e entendemos o que fez ou não sentido. Estou conseguindo entender onde estão os pontos que posso melhorar, onde que aquilo pode fazer a diferença. Muitas vezes nem nós mesmos entendemos a nossa história. O processo da escrita e das entrevistas está me facilitando a ter um pensamento mais profundo.”

Realização de um sonho

O sonho de Tagawa de escrever um livro sobre sua trajetória e a Filosofia do Bonsai é antigo, mas foi em 2017 que ele resolveu, literalmente, colocá-lo no papel.

Foram as dificuldades que viveu desde a infância que o levaram a buscar práticas para manter a calma e o equilíbrio em momentos difíceis. As práticas diárias de meditação, respiração, atividade física e cuidados com a alimentação o ajudam a viver melhor, com foco na sua missão. A intenção com o livro é compartilhar esse aprendizado com os leitores. Assim como a filosofia faz bem para ele, pode ajudar outras pessoas.

O processo pelo qual Tagawa está passando, de compreender a própria história por meio da escrita, faz parte de um processo já conhecido por estudiosos. O psicólogo Bruner, citado no começo deste texto, sugere que representamos a vida, para nós e para os outros, na forma de narrativas. Ao nos identificarmos com essa história é que construímos nossa identidade e achamos nosso lugar no mundo.

O sociólogo Antonio Candido, em seu livro Vários Escritos, explica que “quer percebamos claramente ou não, o caráter de coisa organizada da obra literária torna-se um fator que nos deixa mais capazes de ordenar a nossa própria mente e sofrimentos; e, em consequência, mais capazes de organizar a visão que temos do mundo”.

É por isso que, para Tagawa, contar a própria história o ajuda a manter o compromisso com a prática da Filosofia do Bonsai, que é um ponto para dar um norte ao seu equilíbrio, com uma vida sem excesso.

“Quando eu vou contando a minha história e vendo os processos que fui passando durante minha infância, adolescência e fase adulta, eu começo a entender que hoje, se eu não tivesse a Filosofia do Bonsai, seria mais difícil o processo de aceitação das coisas que eu passei pela minha vida, e principalmente o entendimento de como posso manter a vida com mais equilíbrio.”

Tagawa faz uma analogia de conhecermos nossas histórias com o próprio bonsai, que tem uma raiz profunda, que é onde está a nossa família e nossos antepassados. É onde a gente nos nutre de vitaminas para que nosso tronco fique erguido e nossa copa se transforme em prosperidade. “É uma natureza moldada por nossas mãos, assim como a nossa vida. Cada ser humano é único, assim como cada bonsai”, explica.

Gabriela Gasparin é jornalista, escritora e autora do livro “Vidaria, uma coletânea de sentidos da vida”. É também criadora do blog Vidaria.